sábado, 13 de abril de 2013

Por que você se move?


Por Marina Torres

Hoje vi, em algum vídeo, a frase “Não se pensa, se flui”. Concordo e discordo. Acho que se deve pensar E fluir, e os dois elementos juntos nos levariam ao real parkour. Afinal, me ensinaram que parkour é também uma filosofia onde não apenas se treina, mas se vivencia.
Pensar demais faz a gente travar. Mas qual o problema de fluir sem pensar? Não sei vocês, mas eu preciso de uma razão, um motivo para fazer o que eu faço. Por isso não consigo somente fluir, e por muito tempo tive problemas em me achar dentro da prática porque não sabia o que me movimentava. Queria correr, ser forte, mas não sabia o porquê. Aí vinha o desânimo e a desmotivação.
Sofria por não conseguir fazer uma precisão e pensava “Isso aqui devia me fazer bem, me fazer feliz. Então, por que me sinto tão miserável?” Eu tentava, mas não conseguia me desligar do parkour. Sempre voltava, mesmo depois de meses parada, e parecia que nada mudava.
Até que um dia, um amigo me iluminou ao perguntar “O que você sente quando está no meio de um salto?”
Fiquei muda tentando desesperadamente encontrar uma resposta. Então ele perguntou: “Primeiro, por que você salta?”
Fiquei chateada por não saber responder nenhuma das perguntas aparentemente simples, e só respondi “Para de fazer pergunta difícil, pô!”
Nos treinos seguintes àquela conversa, eu passei a reparar na movimentação dos outros e na minha própria. É possível ler o que uma pessoa sente ou pensa no modo como se move. Como alguns parecem fazer parte dos obstáculos, enquanto outros parecem aqueles carrinhos bate-volta. Me perguntava se eles estavam felizes, cada um com seu parkour, se estavam tão perdidos como eu ou se ao menos sabiam que estavam perdidos.
Eu estava determinada a encontrar o rumo certo, e depois de voltas e reviravoltas do destino, fui parar lá em São Luís do Maranhão. Meu primeiro encontro nordestino foi arrebatador. Sabe, quando você leva aquele choque, voa pra trás e passa a ver as coisas de outro jeito. Pois é, ali descobri o primeiro alicerce do meu parkour. A união daquele povo me inspirou, me motivou e me renovou. Voltei pra casa querendo mudar o mundo.
Mais uma vez me senti decepcionada, fraca e sozinha. Tive que lembrar outra coisa que esse meu amigo disse: “Você tem que ser a mudança que você quer ver no mundo. Comece mudando os seus atos, e as pessoas em volta, vão perceber.” E não foi que funcionou rapaz?!
Redescobri que tinha pessoas maravilhosas a minha volta que me apoiavam. Agora com a ajuda dos meus amigos eu achei o segundo alicerce, o foco. Coloquei um objetivo na cabeça, me fortalecer física e psicologicamente. Sei que vai ser difícil e vou ser tentada a desistir diversas vezes, mas dessa vez quero ir até o fim. E assim, sem querer, achei o terceiro e último alicerce, a perseverança.
Criei o hábito de todo dia, todo treino, antes de cada salto, pensar: “Por que estou me movendo? O que faz me levantar e me mexer?” O interessante é que a cada dia aparece uma resposta diferente e meu parkour se torna mais fluido, mais completo e mais EU.
O parkour não é fácil de ser explicado, e só quem o sente com o coração sabe o que quero dizer.
Já se questionou por que você se move hoje? Se não, te convido a refletir.

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