quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

VI Ecpk e o real significado de união

"Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria"


Alojamento, transporte, pouco tempo, muita gente de fora. Sem nenhum patrocínio, com críticas por todos os lados, cobranças a cada dez segundo e perguntas que muitas vezes me fizeram pensar "o cearense não vai acontecer esse ano." Foram meses de ofícios nas mãos, de colégio em colégio, de projetos e projetos, reuniões e bilhões de "não" na cara. O tempo passou e chegamos à uma conclusão "não da, já era." Não tinha saída, não tinha alojamento. O que fazer? Não tinha mais o que fazer. 
Dizem que quando é pra ser, até os ventos sopram a favor não é? Pois bem, os ventos sopraram e foi um furacão. Mas pra contar isso pra vocês, eu tenho que voltar quatro anos atrás.

Minha mãe sempre sonhou dezenas de caminhos pra mim. Eu poderia ser tudo, o ballet combinava comigo, a natação era meu lar até o basquete ela aceitou. Até o dia em que eu cheguei em casa dizendo: Mãe, eu quero praticar parkour. Quatro anos ouvindo "nesse esporte só tem homem, você é uma menina." "eu não lhe criei pra isso." "você vai se machucar." Ela tentou aceitar, eu sei. Mas não conseguiu. Pelo menos foi o que eu achava, até um dia antes do VI Ecpk.

Foi faltando apenas uma semana pro encontro que eu recebi a notícia que me deixou sem dormir de tanta felicidade. Minha mãe que passou quatro anos da minha vida tentando me fazer desistir do parkour resolveu abrir as portas da casa dela pra receber mais 30 traceurs de fora. Inicialmente eu não acreditei, não era algo que eu esperava tão pouco era algo que eu iria esquecer. Até que os móveis começaram a ser arrastado de um lado para outro. 

Se todos os anos o Encontro cearense é símbolo de união, esse ano ele foi símbolo de união, superação e crescimento! A cada traceur que chegava e se apertava por aqui, eu sentia que aquele não seria um encontro qualquer. Seria O ENCONTRO. E foi! Como Paulo Duracell colocou no facebook, esse foi um encontro familiar. 

Eu não posso citar um momento que marcou, pois a cada segundo era marcante. Foram três dias corridos, foi como jogar tetris e descobrir que o melhor mesmo foi montar todos em um lugar apertado pra descobrir o quanto tudo é possível quando se trata de traceurs. Faltou água, sobrou diversão, faltou sono, sobraram experiências incríveis. 

Eu pensei em desistir nos 45 segundos do segundo tempo, pensei em jogar a toalha mesmo. Mas eu preferi acreditar no que sempre ouvi no parkour "se você quer algo, vá la e faça. É melhor você dormir sabendo que fez tudo o que pode, do que dormir com um "e se" na cabeça." Foi o que minha mãe fez, foi o que me inspirou a tentar de todas as formas fazer com que nesses três dias não faltasse nada pra ninguém. Foi o que hoje, com orgulho, eu digo que consegui fazer. 

A vida tem o costume de colocar obstáculos a nossa frente, na nossa mente isso é pra nos fazer desistir. Mas não é. Os obstáculos servem para serem atravessados, pra nos dar o gostinho de vitória. Para sabermos que somos mais, que conseguimos mais! Que somos capazes sim, se a gente acreditar e correr atrás não existe muro, espaço pequeno, precision longe, nem climb difícil. Traceur de verdade não treina em espaço pronto, traceur faz o caminho. E deixa lá pra todo mundo ver que ele passou por ali. 

Quem veio ao VI Ecpk sabe muito bem do que eu estou falando, e quem não veio, venha! Próximo ano teremos um alojamento decente, o projeto já está pronto. Muita coisa mudou, mas o espírito de renovação que esse encontro planta em cada um continua o mesmo. 

Fanpage do evento: https://www.facebook.com/EncontroCearenseDeParkour?fref=ts

Aloha meninas. 

10 comentários:

  1. Foi dar sentido a palavra união!
    By:Odair santos.

    ResponderExcluir
  2. Poder vivenciar tudo isso é uma dádiva. Obrigado Patrícia e todo o pessoal da organização. Vocês deram sangue valendo dessa vez. Que Deus abençoe vocês, "Eu volto"
    Saúde e Paz.

    ResponderExcluir
  3. Sangue e muito coração Duracell, é sempre um prazer receber vocês. Volte mesmo!
    Paz, pra sempre.

    ResponderExcluir
  4. Cara, com ou sem alojamento, ano que vem se assim Deus me permitir estarei nem que seja hospedada no teu quintal. Meus parabéns pela determinação, por cuidar de aprox 30 tracers ,que aposto que foi muito prazeroso e também teve um pouquinho de trabalho...rsrsrs Ricardo Farias e Felipe Strong me falaram pacas de vc ano passado "vc tem q conhecer a Patrícia, vc tem que treinar com a Patrícia" E isso não sai da minha cabeça...rssrs...se puder, venha ao pernambucano este ano, minha casa estará de portas abertas p vc, apesar de eu desejar este ano dormir no alojamento...srsrs...mas isso aí decidimos depois,mas venha. Tenho muito o que aprender ctg.

    ResponderExcluir
  5. Muito honrada com o comentário. Irei sim! Me espere ^^

    ResponderExcluir