segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Nota de repúdio - Girls in Motion Tour

Nota de repúdio 

Representando a comunidade de Parkour Feminino no Brasil, emitimos a nota de repúdio a atos que não seguiram o intuito do “Girls in Motion Tour”. Ressaltamos que houveram iniciativas de membros isolados durante a estadia no Brasil que fugiram do propósito do tour, tais como recrutar/elencar/promover ações encobertas vinculadas à Federação Internacional de Ginástica (FIG). Enfatizamos a partir dessa declaração que o tour visa difundir e fomentar a prática do parkour feminino e integrar as culturas dos países envolvidos. Esperamos que os conflitos não tenham gerado desconforto a ponto de desacreditarem nos valores e objetivos do evento e de seus participantes.




Repudiation Note
Representing Brazil's Female Parkour community, we publish henceforth this repudiation note to acts which did not stay true to the spirit of the "Girls in Motion" tour.
 We inform through this note of the occurence of actions by some isolated members of the tour that escaped its purpose, more specifically, we repudiate the offscreen and covert moves made during the Brazilian leg of the tour to advance the International Gymnastics Federation's (FIG) agenda, through the effort to recruit for and promote such organization.
We emphasize that the singular purpose of "Girls in Motion" is to spread and develop Parkour while sharing the different cultures of each region visited, and as such it is not associated to the federation previously mentioned.
 Lastly, it is hoped that the possible animosity created by this note does not lead to discreditment of the project and its participants' goals and values, as they are held in very high regard by the community.


Nota de Repudio
Representando a la comunidad de parkour femenino de Brasil, publicamos esta nota de repudio a aquellos actos que no se mantienen en la línea del espíritu del tour "Girls in Motion".
Informamos a traves de esta nota sobre la ocurrencia de acciones realizadas por algunos miembros aislados del tour, que escaparon de su próposito, más específicamente , repudiamos las acciones y movimientos poco transparentes y encubiertos ocurridos durante durante el tramo del tour en Brasil, para favorecer la agenda de la Federación Internacional de Gimnasia (FIG), a traves de esfuerzos para reclutar atletas y promover a dicha organización.
Enfatizamos que el objetivo principal del "Girls in Motion Tour" es difundir y promover el parkour femenino a traves del intercambio cultural y de las comunidades de parkour de Latinoamérica involucradas, y que este no está asociado a la Federación previamente mencionada.
Por último, esperamos que las posibles repercusiones de esta nota no desacrediten los objetivos y valores del proyecto y sus participantes, los cuales son respetados y muy queridos por la comunidad.


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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

O Parkour é ferramenta de empoderamento... desde que você não seja um ícone de destruição





Texto: Poliana Sousa    - @poliizz.
Proprietária e Diretora da Drop and Leap Escola de Parkour - Brasília. @dropandleap



A necessidade de se praticar exercícios não é de gênero. Todos deveríamos praticar alguma modalidade e se apaixonar em movimentar o corpo dentro das suas possibilidades. Porém, a grande maioria da população ainda não se encontrou ou ainda não escolheu ou se encaixou em um esporte.  Enfim, tenhamos calma, isso ainda é reversível.


              Aqui vamos falar das mulheres que já se encontraram. Daquelas que amam se movimentar, aprender habilidades, se superar, ficar mais fortes, resistentes e corajosas. Estamos falando daquelas que cuidam de si e estão sempre em busca da satisfação própria. Muitos acham que esse é um processo simples, só chegar, treinar, evoluir e pronto...tá tudo ali na mão. Não é tão simples assim. Todas as pessoas sofrem para achar motivação e inspiração interna para as rotinas diárias. Isso é associado com as obrigações de trabalho, faculdade, escola, família, dinheiro e, inclusive, os exercícios.  Apesar de estarem todos lutando para isso, as mulheres precisam carregar mais uma coisinha ainda: a cultura que, automatizadamente, nos condena até hoje, o machismo.

               Já estamos inseridas em quase todas as modalidades esportistas. Poucas ainda são as predominantemente femininas. Assim, permeando as difíceis habilidades e processos lentos dos movimentos complexos, precisamos aprender, infelizmente, mais uma habilidade: a de lidar e de se impor aos comentários impetuosos,  atitudes retrógradas e que muitas vezes  doem.

               Sobre a minha especialidade, o Parkour, tenho muito a dizer. Você conhece? É aquela modalidade ao qual as pessoas se movimentam pelas ruas. Sobem, descem, saltam, rolam, se penduram, correm criando percursos e desafios de movimentação. Para nós, mulheres praticantes, se tivéssemos somente as dificuldades físicas de alturas, distâncias, texturas, e agarres para nos preocupar seria lindo mas não. Conheça um pouco mais das dificuldades aos quais passamos:

SOBRE AS NOSSAS ROUPAS.
               Nessa modalidade, criou-se um estilo europeu friorento de agasalhos e moletons. Aqui, nós continuamos a usar, inclusive é preferência de muitas ainda, afinal permite muito movimento e protege de ralados e arranhões. Porém, quando abandonamos esse estilo e procuramos não sentir calor ou ficar mais à vontade usando shorts, leggins, tops ou shorts-saia ainda somos repudiadas. Infelizmente, isso não acontece somente no meio do parkour. Quando isso vai parar ?  reflita se você já pensou mal ou comentou desnecessariamente sobre as roupas das praticantes ?

              Entenda e assuma que roupas não definem personalidades e nem nível de treino, muito menos permitem avaliações e análises de quem ainda não evoluiu nessa nova geração de liberdade corporal.  

SOBRE OS NOSSOS CORPOS OU HABILIDADES
É triste ver e sentir quando somos comparadas com outros (as). Sofremos bastante quando acontece. Na filosofia do ensino do parkour aprendemos a aceitar diferenças e todos os bons praticantes levam isso para a vida...seja dentro da comunidade ou fora. Acredito que em quase todo o esporte é assim (ou deveria ser) no qual cada processo de evolução é aceito e respeitado. Sabemos que as diferenças corporais não acontecem somente pelo gênero mas pela história de vida, experiências motoras, oportunidades de estímulos, escolhas, entre outros. É normal e tá tudo bem. Mas parece que o homem fraco ou medroso jamais vai sofrer como uma mulher na igual situação.  Ainda há muitos homens que se negam a estar na presença feminina e quando estão desprezam ou são mal educados e displicentes com comentários. Não podemos ignorar.
 A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, sapatos e atividades ao ar livre

               Claro que há homens bem evoluídos mentalmente, educados, gentis e estupidamente respeitosos. Inclusive agradecemos de coração por vocês existirem e também pelo apoio e força que nos dão a cada treino, obstáculo ou bloqueio.

               Aprenda que sempre vão existir pessoas iniciantes, intermediárias e avançadas em toda as modalidades. E pode ser mulher, homem, novo, velho, machucados e várias outras dezenas de situações aos quais precisam ser respeitadas.


SOBRE ESTARMOS SÓ OU NÃO
               Vez ou outra percebemos o tratamento diferenciado de mulheres que estão “solteiras” ou desacompanhadas de uma figura masculina. É difícil entender de onde surge o pensamento  que uma mulher, aparentemente sozinha, sempre é vulnerável ou frágil ou ainda errada em seus comportamentos. 
Nós treinamos sozinhas, podemos viajar para encontros e eventos de parkour sozinhas à vontade. Quando começamos a treinar, a nossa relação com a rua se transforma. Aprendemos a ocupar nosso espaço, bem como ser cada vez mais autônoma. Não estou afirmando que não precisamos de ajuda ou de companhia, pelo contrário, é sempre bom treinar com quem pode contribuir. O caso é para alertar que, independente da situação ao qual a mulher se encontra, é necessário o máximo de respeito.

 
               
                 O parkour até pode ter começado pela iniciativa dos homens mas acredite, já somos muitas no Brasil e no mundo. A coisa mudou.
  
               Queremos que seja cada vez mais raro ou até inexistentes os relatos de praticantes que são vítimas dessas situações.

               Dessa forma, a partir de um compilado de incidentes, resumimos as frases mais idiotas e sugerimos algumas substituições. Inclusive, a partir desse texto, estamos torcendo para as suas atitudes com as mulheres e meninas serem melhores não só no esporte mais em qualquer ambiente.

AO PENSAR EM FALAR ISSO
PREFIRA USAR ISSO
Você treina igual homem
Já treina há quanto tempo ?
Tá mais musculosa que um homem
Músculos são o melhor investimento para a vida
Sua mão é de macho
Sua mão entrega o quanto você é guerreira e dedicada
Tem que ser mais fácil para você porque você é mulher.
Os processos desse movimento são assim. Quando evoluir mais ele avança para isso.
Mulher que faz assim.
Já viu as evoluções desse movimento? Bora tentar ?
Se ela faz, você que é homem, faz de boa
Ela manda bem, pede dica pra ela
Essa sua roupa provoca todos os homens do treino
-------  Neste caso, melhor você ficar calado. ------
Com essa roupa parece um menino
Tá style demais









JUNTAS SOMOS MAIS FORTES.


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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Chamada Vídeo Parkour Feminino Brasil 2018!

Com maior prazer e satisfação venho anunciar o evento de final de ano que vcs mais amam: Víde Parkour Feminino Brasil!
Essa é a oportunidade de estarmos juntas, mesmo treinando longe ♥

Vocês tem até 05 de Janeiro de 2019 pra enviar um vídeo com cenas de 2018.

Podem mandar pelo Youtube, postar na conta do 4shared, do jeito que quiser, a regra é me enviar um email com nome e link do vídeo (ou o próprio vídeo) pra eu não me perder ok?!
Só não vale deixar de participar

Envie email para: carolinnegoes@hotmail.com

Qualquer coisa me gritem no facebook: Caruh Góes


Fiquem com os vídeos dos anos anteriores pra inspirar










Já que recordar é viver, se liguem nas nossa galerias de vídeos também:


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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O parkour e a maternagem. Ou seria ao contrário?

Texto de Déborah Paula


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e área interna


Esta aí uma questão que vale a pena um minutinho da atenção de vocês para leitura. 


Para início de conversa deixa eu me apresentar... Sou Déborah, mãe, esposa, estudante, trabalhadora, dona de casa e (ufa) praticante de parkour. Conheci o Parkour em 2011 quando vi alunos da escola onde trabalho (esqueci de dizer que sou professora de Educação Física) dando uns pulos e fazendo umas “manobras” que eu achava o máximo. Com o tempo descobri que essas manobras se chamavam vaults, mas naquele momento, não sabia o que exatamente era aquilo, mas já tinha visto em algum lugar que aquilo era alguma coisa (ficou estranha a explicação né? Mas tem coisa na vida que acontece de forma estranha mesmo e você já vai descobrir porque). Enfim, fui pesquisar o que significavam aqueles movimentos e descobri que se chamava PARKOUR... 


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e sapatos

Legal, já que eles gostavam tanto daquele tal parkour resolvi começar a ensinar na escola em 2012. Eu não tinha nenhum conhecimento sobre o assunto e assim como os primeiros praticantes que aprenderem o Parkour, comecei a levar vídeos da internet e mostrar para a piazada (piazada é o apelido carinhoso que aqui no sul damos para os meninos e meninas) e dizer-lhes: “hoje é esse movimento que vocês irão tentar fazer”. Mas aquilo foi cansando e para ser sincera, comecei achar que aquilo não tinha muita coisa de pedagógico: eu precisava de mais conhecimento para ensinar a piazada. 
Foi quando eu descobri que, aqui em Curitiba, tinha aulas de parkour e nesse ponto entra minha relação com a maternagem, mas antes, preciso voltar um pouco nessa história. 



Em 14 setembro de 2011 às 9 horas da manhã minha vida ganha outro sentido, pois nascia um pequeno pedaço de mim chamado Bernardo. Sabe aquela história que você pode ler em todos os blogs de maternidade, sobre as alegrias e dificuldades de ter um filho? Bem, passei por todas elas... Das madrugadas acordada aos sorrisos sinceros e gostosos, ser mãe transformou minha vida, mas eu ainda precisava ser todas as outras coisas que almejava para mim, isto é, ser uma boa professora, cuidar de mim, romper meus medos etc, e aqui eu volto para minha relação com o parkour. Quando descobri que tinha um grupo que dava aulas de parkour na minha cidade tratei logo de entrar em contato, pois queria muito aprender sobre a prática... Mas... e agora? O que eu faço com meu filho? Foi aí que encontrei muito apoio da galera que treinava...

Primeiro preciso dizer que fui muito bem acolhida no meio daquela piazada (eu tinha idade para ser mãe de grande parte deles) e foi essa acolhida que me fez ficar no parkour, além disso, quando eu precisava levar o Bernardo nos treinos sempre tinha alguém para ficar de olho nele e por causa disso eu podia treinar. Às vezes quando estávamos fazendo algum treino físico que envolvia me afastar do espaço que Ber estava brincando, por exemplo, uma corrida, eu colocava o pequeno no cangote e corria com ele. Ele era minhas anilhas nos exercícios...
Toda essa experiência que ele enxergava em mim mobilizou-o para também ser um praticante de parkour. Hoje, em muitos momentos, nossas brincadeiras são estruturadas a partir do parkour, além disso, nossa relação com o parkour também nos aproxima na relação entre mãe e filho, na maternagem...




Eh isso meninas, desejo que mais mulheres, mães e filhos possam ter a experiência incrível que eu tenho com parkour e a maternagem!!! Para além, que cada dia mais mulheres possam descobrir formas de brincarem com seus filhos, colocando seus corpos em movimento, uma vez que estar em movimento faz parte da essência da criança e do ser humano!!

Que os pequenos possam ser nossa inspiração para os treinos e que nossa experiência com o parkour ou qualquer outra prática corporal seja como uma herança para eles...



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