quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O parkour e a maternagem. Ou seria ao contrário?

Texto de Déborah Paula


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Esta aí uma questão que vale a pena um minutinho da atenção de vocês para leitura. 


Para início de conversa deixa eu me apresentar... Sou Déborah, mãe, esposa, estudante, trabalhadora, dona de casa e (ufa) praticante de parkour. Conheci o Parkour em 2011 quando vi alunos da escola onde trabalho (esqueci de dizer que sou professora de Educação Física) dando uns pulos e fazendo umas “manobras” que eu achava o máximo. Com o tempo descobri que essas manobras se chamavam vaults, mas naquele momento, não sabia o que exatamente era aquilo, mas já tinha visto em algum lugar que aquilo era alguma coisa (ficou estranha a explicação né? Mas tem coisa na vida que acontece de forma estranha mesmo e você já vai descobrir porque). Enfim, fui pesquisar o que significavam aqueles movimentos e descobri que se chamava PARKOUR... 


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Legal, já que eles gostavam tanto daquele tal parkour resolvi começar a ensinar na escola em 2012. Eu não tinha nenhum conhecimento sobre o assunto e assim como os primeiros praticantes que aprenderem o Parkour, comecei a levar vídeos da internet e mostrar para a piazada (piazada é o apelido carinhoso que aqui no sul damos para os meninos e meninas) e dizer-lhes: “hoje é esse movimento que vocês irão tentar fazer”. Mas aquilo foi cansando e para ser sincera, comecei achar que aquilo não tinha muita coisa de pedagógico: eu precisava de mais conhecimento para ensinar a piazada. 
Foi quando eu descobri que, aqui em Curitiba, tinha aulas de parkour e nesse ponto entra minha relação com a maternagem, mas antes, preciso voltar um pouco nessa história. 



Em 14 setembro de 2011 às 9 horas da manhã minha vida ganha outro sentido, pois nascia um pequeno pedaço de mim chamado Bernardo. Sabe aquela história que você pode ler em todos os blogs de maternidade, sobre as alegrias e dificuldades de ter um filho? Bem, passei por todas elas... Das madrugadas acordada aos sorrisos sinceros e gostosos, ser mãe transformou minha vida, mas eu ainda precisava ser todas as outras coisas que almejava para mim, isto é, ser uma boa professora, cuidar de mim, romper meus medos etc, e aqui eu volto para minha relação com o parkour. Quando descobri que tinha um grupo que dava aulas de parkour na minha cidade tratei logo de entrar em contato, pois queria muito aprender sobre a prática... Mas... e agora? O que eu faço com meu filho? Foi aí que encontrei muito apoio da galera que treinava...

Primeiro preciso dizer que fui muito bem acolhida no meio daquela piazada (eu tinha idade para ser mãe de grande parte deles) e foi essa acolhida que me fez ficar no parkour, além disso, quando eu precisava levar o Bernardo nos treinos sempre tinha alguém para ficar de olho nele e por causa disso eu podia treinar. Às vezes quando estávamos fazendo algum treino físico que envolvia me afastar do espaço que Ber estava brincando, por exemplo, uma corrida, eu colocava o pequeno no cangote e corria com ele. Ele era minhas anilhas nos exercícios...
Toda essa experiência que ele enxergava em mim mobilizou-o para também ser um praticante de parkour. Hoje, em muitos momentos, nossas brincadeiras são estruturadas a partir do parkour, além disso, nossa relação com o parkour também nos aproxima na relação entre mãe e filho, na maternagem...




Eh isso meninas, desejo que mais mulheres, mães e filhos possam ter a experiência incrível que eu tenho com parkour e a maternagem!!! Para além, que cada dia mais mulheres possam descobrir formas de brincarem com seus filhos, colocando seus corpos em movimento, uma vez que estar em movimento faz parte da essência da criança e do ser humano!!

Que os pequenos possam ser nossa inspiração para os treinos e que nossa experiência com o parkour ou qualquer outra prática corporal seja como uma herança para eles...



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