quarta-feira, 11 de março de 2015

E se eu nunca conseguir aquele pulo?

Texto e fotos por Juliana Fajardini
Originalmente publicado em: http://www.parkoursalvador.com.br/





Parkour. Uma dúvida, um desafio - serei capaz de fazer as coisas? Eu vejo os vídeos de parkour, ou vejo as pessoas fazendo precisões mais distantes, ou cats que exigem não apenas técnica, mas um certo desafio ao senso de integridade física, uma força física maior, sei lá. E batem umas travas. Desacredito-me. Essa foi uma das razões que me fizeram não ir atrás do parkour, por muito tempo. Medo de não ser pra mim. De eu não ser capaz de fazer esses negócios. O corpo não ser capaz de. A cabeça não ser capaz de.

De repente, um dia, fui praticamente puxada pra um treino, o que fez com que não parasse pra pensar muito nesses receios e simplesmente fosse. Daí o treino não exigiu que eu fizesse coisas impossíveis. Só... difíceis, em termos de resistência e força física, talvez. Ou que eu aceitasse "sofrer" um pouco. Ok. Isso eu consigo. Eu fiquei toda quebrada por alguns dias. risos. Mas não me senti incapaz. Senti que... precisava melhorar. Que queria ser mais forte. E assim eu achei que dava pra tentar mais um treino.

Ao invés de força, dessa vez exigiram agilidade, equilíbrio, coordenação. E atenção para entender movimentos básicos. Fui fazendo e sentindo onde funcionava. Onde não. E que queria repetir mais uma vez. Parar o treino para treinar (risos). E daí eu quis ir de novo. Pra melhorar o que era mais natural ou gostoso fazer. Pra entender o que tava ruim no que tava fazendo de modo travado.



Quando estou nesses momentos, nos meus pequenos desafios, os pequenos degraus... Os saltos distantes se diluem. A força ou habilidade que os outros têm ficam mais como exemplo, ou inspiração, ou feedback. Deixam de ser um lugar a que eu talvez não chegue. Tou tão preocupada em conseguir pisar sem o calcanhar tocar o chão que a precisão pra barra deixa de preocupar. Uma hora dessas, quem sabe, talvez eu chegue lá. Agora eu quero fazer quadrupedais pra ganhar força no abdômen, braços, pernas. E repetir as precisões e os cats até cansar. Se eu me afasto disso, e vou olhar os outros, por muito tempo… Os medos voltam. Mas geralmente eles duram até eu encontrar um obstáculo que acho que consigo ultrapassar. xP 

Senti vontade de escrever sobre isso porque outro dia a irmã de um brother que pratica parkour apareceu no treino. Perguntei se ela tinha vontade de treinar. Ela respondeu que tinha curiosidade ou interesse, mas que não sabia se o corpo dela conseguiria fazer “aquelas coisas”. E isso me lembrou meus receios e bloqueios, e me dei conta de que, apesar deles, lá tava eu, tentando.

Escrevendo esse texto, penso que acho que rolam uns flows internos. O parkour é pra dentro. Aonde você vai com ele é o caminho que você “escolher” seguir. Sei lá. Quero dizer. Talvez eu nunca faça as coisas que meus amigos que treinam há anos fazem. Mas meu corpo tá se mexendo de um jeito que eu gosto. Dentro e fora. E tá se desafiando. Cheio de curiosidades.

O Brunin, que dizem as más línguas se chama Bruno Reis, lendo esse texto, alumiou: Com o Parkour, pequenos saltos podem ser grandes obstáculos ultrapassados. É… Acho que sinto isso. Cada um sabe de seus desafios…



Pra fechar… Essa percepção de que em algum momento eu paro de me preocupar bateu enquanto escrevia o texto. O dar-me conta disso. Acho que alternar os treinos de força/ resistência (psicológica) com os treinos de técnica (repetir, repetir, entender o que tá ruim, repetir) funciona pra mim. E ir construindo em cima dos treinos, raciocinando, internalizando. Cabeça e corpo vão aprendendo.

E percebi só agora que não me preocupo quando estou lá. Às vezes o que os tracers antigos fazem passa pela cabeça. Mas no geral tou muito ocupada pensando na posição do meu pé. risos

Metros não medem a distância de um salto no Parkour.

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