terça-feira, 13 de maio de 2014

PARKOUR SECRETO



A cada momento eu vejo mais uma iniciativa “secreta” para “organizar e fomentar o Parkour” (a proporção varia às vezes) e fico me perguntando, na real, o que disso “foi pra frente” até agora? Não vou listar as iniciativas que conheço, porque seria antiético e não ajudaria em nada, mas esses “grupos secretos” me levam a vários questionamentos: Será que a ideia do Parkour em si não é exatamente o contrário da concentração e formação de panelinhas e grupos secretos? 

Será que nós somos realmente tão infantis que não temos a capacidade de trabalhar, ou melhor, deixar que as pessoas trabalhem por um bem que em algum nível será de todos? 

Será que a melhor solução é realmente segmentar? 

Não tenho respostas claras para essas questões, e também gostaria de deixar claro que não é dor de cotovelo, avaliando que eu fui convidada por algumas dessas propostas, mas, por um outro lado, conheço pessoas incríveis com poder de elaboração e execução absurdos que não foram e nem serão chamadas, pessoas que poderiam contribuir muito para organização e fomentação da prática, mas que, por algum motivo, não estavam no lugar certo na hora certa. 

Acredito sinceramente que a contemporaneidade caminha para a colaboração em seus mais diversos aspectos. Não são poucos os exemplos de projetos, aplicativos e afins que só se tornaram possíveis por causa da colaboração de usuários-interessados. A própria fomentação da prática só foi possível graças a isso, então, eu fico me perguntando cá com os meus botões: Por que esse desejo pelo obscurantismo? Ok, exitem pessoas que claramente são rechaçadas pela comunidade. E por razões obvias, essas pessoas não fazem parte, até porque a própria comunidade não permite a inserção das mesmas. 

Mas a minha reflexão aqui vai além, ela busca uma forma de entender esse movimento que tem se multiplicado de maneira tão vertiginosa nos últimos tempos. Se colocássemos hoje no papel todas as “Iniciativas Secretas” existentes no cenário do Parkour nacional descobriríamos uma infinidade de projetos incríveis que possivelmente (observem o “possivelmente”) não sairão do papel, justamente porque ficaram escondidas durante tempo demais, ou simplesmente por terem excluído a parte mais interessada nisso, o público alvo, a comunidade de praticantes. 

Vejo muita gente falando em proteger um "Parkour Puro" enquanto a maioria dos iniciantes sequer sabe o que é Parkour... Tudo bem, que muitos veteranos tem contribuído para essa falta de informação ou para uma "errônea" difusão da prática em si, mas tem muita gente boa trabalhando em prol de projetos lindos... 

Acontece que, de boa intenção o inferno está cheio, tenho visto muita gente usado de politicagem descarada para conseguir publicidade, assim como muita gente boa sendo usada como massa de manobra. Existe muita coisa para se falar nesse âmbito, mas o que mais tem reverberado na minha cabeça é: Por mais que eu me dedique e ame o Parkour ele não é propriedade minha, e o que se faz dele afeta toda a comunidade, sem maniqueísmos, por favor. Existe muita gente por esse mundão que pode contribuir e muito para que tenhamos avanços significativos na prática e não necessariamente esse pessoa é do meu ciclo de amigos, não necessariamente eu conheço ou gosto dessa pessoa. De tudo isso ficam algumas reflexões que me perturbam: O que se tem feito é pelo Parkour ou pelo ego das realizações? Realmente se quer descentralizar e horizontalizar as informações e os projetos para que eles sejam acessíveis a todos? 

Como falei inicialmente, não tenho respostas claras para essas perguntas, mas me fica um peso, um gosto estranho de que talvez esse não seja o melhor caminho. Ou talvez essa seja eu, fazendo mais uma vez tempestade num copo d'água. O que espero com isso é que minimante reflitamos sobre o assunto e nos proponhamos a discutir abertamente sem inflamarmos os nossos egos.

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