quarta-feira, 21 de maio de 2014

Kiev - O Parkour

Por Tatiana Silva, em http://tatimabersi.blogspot.com.br/

"Hi!
I'm from Rio de Janeiro. In April I will be in Kiev and I would like to train parkour. Can I talk to you?"
"Yes! You can contact me here."

Já disse que o Max foi o meu segundo contato de Kiev. Aliás, foi ele que me disse que a cidade estava tranquila. Para conhecê-lo pessoalmente e conseguir treinar com ele foram três tentativas. Nas duas primeiras, eu me perdi feio por Kiev. Nada mais desesperador quando o App do Google Maps resolve não colaborar, e você não consegue informações na rua, já que boa parte da população não fala inglês, e você balbucia umas poucas palavras em russo. Mas, se Kiev tem uma vantagem em relação a outras cidades que eu visitei é que se você encontrar alguma estação de metrô, você se sente salvo. E há muitas estações (o Rio poderia ser assim). Tirando o desespero inicial, me perder por Kiev fez com que eu conhecesse a cidade de outra maneira, além de me render boas fotos.

Na terceira tentativa quando, enfim, encontrei Max e os rapazes (confesso: eu só me lembro de 3 nomes), passei uns 2 minutos namorando o pico de treino deles. Aqueles muros lindos e pedra... me apaixonei (ahahahaha...)!!!! Me apresentei aos rapazes, que logo me chamaram de Tânia (já tô com saudades de ser chamada assim!), e logo larguei a minha mochila e fui treinar. Os primeiros instantes houve uma certa timidez talvez pela diferença de idiomas, ou pela estrangeira que veio do outro lado do Atlântico. Porém, isso logo foi quebrado com um questionamento sobre parkour e free running. Meu pensamento foi: PQP! Aqui também?! Ahahahaha... Eterna discussão mundial.




Esse treino aconteceu em uma quinta-feira no final da tarde. O que me lembrou os treinos XHD em Botafogo aqui no Rio. Durante o treino, vi que os rapazes sempre estão dispostos a ajudar. E em parte do treino, me misturei com os iniciantes. O que foi muito bom para pensar no que peco nos meus treinos, e o quanto estou fraca.

A diferença de idiomas não impediu as conversas.sobre o que temos de parecido no modo de ver o parkour e pensar em como levar e difundir a prática. Acho que nem há dois meses tinha conversado com o Pedro de Taubaté sobre alguns vídeos da galera de Kiev. O clima dos vídeos era sempre para cima e de companheirismo. Engraçado que ao ir a um treino com eles, eu me lembrei do dia que eu e Ju treinamos com a galera de Taubaté. Sério! É uma sensação boa que eles passam. Você vê um treinando com o outro com aquele brilho no olho do "Tô aqui com você!", e, sabe, isso tem se perdido em tantos treinos que eu participei, encontros que fui que quando vejo isso, sinto que há esperança. Me lembrar deles (Kiev e Taubaté) me faz abrir um sorriso no rosto, e bate uma saudade.

Não foi apenas treino, foi conhecer um pouco da cultura do outro. Sabe a coisa de entender a cidade pelos olhos do outro? Foi um pouco isso. Entendi por que a cerveja era mais barata que a água, por que as estações de metrô são incríveis, por que eles eram fortes. A única coisa que não entendi foi não ter mulheres no treino. Me fez pensar muito no cenário carioca e na minha responsabilidade nisso. Como disse em outro texto (http://feminino.parkour.com.br/2014/05/minha-culpa.html) não é que se eu organizar treinos teremos mais mulheres treinando. Mas, é impossível haver interesse por algo que não se conhece. 


Voltando àquela quinta, ficamos de treinar no final de semana. Troquei mensagens com o Max, e encontrei com ele na estação Palats Ukraine no sábado de manhã. O local é uma mega casa de shows com um espaço bom com jardim e mais muros de pedra lindos (Rio, amo seus muros escorregadios, mas namorar muro de pedra não é exatamente uma traição!). Antes de encontrar o Max, eu tinha conversado com o JJ sobre uma tradição nossa de dar camisas a quem acreditamos com algo bom e gostamos de treinar. E, logo no início do treino dei a minha camisa da Omnis, tentando explicar o que significava aquela logo e que cada palavra representa coisas que acreditamos. O mais bacana foi ver o Max colocando a camiseta na mesma hora que ganhou, e acabou me dando a que ele estava no treino (Não, Poli! A camiseta é minha!). 








Bem, voltando ao treino, um pouco depois que o Sasha chegou, eu arrumei um machucado na canela. Ainda tá um hematoma fraco, mas sem pontos dessa vez e sem calça manchada também. E pela segunda vez na minha vida alguém cuidou do meu machucado (o kit de primeiros socorros sempre fica comigo e normalmente sou eu o macho de fazer os curativos no povo). Mas, continuei treinando, lenta, mas tudo bem! E os meninos me chamaram avisando que todo treino treinavam escalada. E aquilo que parece fácil, você vê que não é, e que exige força e jeito. E saí daquele pico com os braços inchados (e uma sensação boa de treino). 


Saindo daquele pico, fomos a uma praça que era uma mistura de Praça Vital Brazil, em Niterói e Le Parkinho, só que com mais barras. Parecia mais o Rio por conta dos blocos mais escorregadios. É interessante em treinar em outras cidades porque gera um quebra-cabeças para pensar no que fazer. O pico seguinte me lembrou o formato de Brasília (nossa querida Capital Federal). No Rio estamos acostumados a condomínios com grades. Em Kiev, boa parte dos lugares que andei não possuem grades cercando as construções, assim como vi em Brasília. Logo, os picos ficam entre essas construções, e por ficarem entre os prédios, também aparecem senhoras para reclamar ou demonstrar preocupação com a saúde de quem está treinando. A foto abaixo indica um fato: Kiev possui corrimão em quase todos os cantos. O Rio tem pouco. Posso voltar à Kiev amanhã? rs!! 




O treino terminou em uma praça infantil em que Max e Sasha me fizeram voltar à infância, mesmo meu quadril não cabendo no "gira gira". Nada como sair tonta, já que eu não bebo mesmo! rs!! Depois disso, os rapazes me ajudaram na tarefa de ir à farmácia. Como comprar água oxigenada quando não se sabe o nome em russo ou ucraniano? Gente, e o que é aquele doce que faz bem para o sangue? Não tem nada disso aqui!


Sou grata ao Max e aos rapazes pelos treinos. Valeu muito a pena conhecê-los, mesmo me perdendo pela cidade. Já os guardo com carinho nos meus pensamentos. Quando penso em como foi a minha viagem, percebo que as pessoas que conheci me fizeram me sentir em casa. E agora vejo Kiev como um segundo lar. Muito obrigada!! Vocês são parte disso!


E, é isso!


Fui!


PS: Contato dos rapazes de lá: http://www.parkour.kiev.ua/

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