quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quando deu a mão para ajudar?

Quase sempre que discursam sobre parkour falam sobre liberdade, respeito, amizades e possibilidade de desenvolver capacidades motoras e mentais. De tempos em tempos sou confrontada com uma cobrança de que deveria ser de um jeito como o de alguma outra pessoa. Lembrei de uma conversa com a Sandra no ano passado sobre escolherem uma pessoa para usar como referência ao que se faz.

Não importa se você é a pessoa que organiza para que os treinos não morram nos finais de semana, ou se tira seu tempo para ajudar outro começar ou continuar treinando. Você tem de ser igual a uma pessoa ideal. Confesso que essa cobrança me enche a paciência e alguns dias me atingem em cheio. 

"Às vezes penso que você vai fazer alguma coisa foda, mas você só tá olhando e pensando no muro!" 

"Não gosto desse jeito que vocês estão fazendo a divulgação do TPM."

"Eu até me prontifico a ajudar (desde que mude o dia do treino)."

"Você tem de parar de fazer físico e treinar flow."

"Porque em tal lugar as meninas estão fazendo uma parada incrível que eu vi no vídeo!"

"A fulaninha mesma já disse que não gosta de treinar com as meninas de alguns lugares porque as acha muito frescas."


Durante um bom tempo treinei sozinha. Tinha o tempo e o local para eu quebrar os meus medos sozinha. Aprendi a respeitar meu corpo e prepará-lo para que eu continue ativa por muito tempo. Ao atender aos pedidos de voltar com os treinos femininos aos domingos, respeito o tempo e tento animar para que a pessoa não desista. Lembro um treino com o RaxAman^ que ele disse que era importante ver o quanto se conseguiu melhorar do início. Mas, nem todo mundo vê desse jeito.

Quando as comparações terão fim? Quando dará a mão para ajudar outra pessoa a dar um pulo? Quando passará o tempo que for para que outra pessoa consiga vença um medo mesmo que signifique não treinar naquele dia? Quando se sentirá pago com aquele sorriso pela(o) outra(o) ter conseguido algo (que você achava ridículo, mas era um abismo para ela(e))? 

Os vídeos fodas ainda são mais interessantes que a experiência de vencer barreiras em um treino?

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