quinta-feira, 26 de abril de 2012

Esperando o quê?!

Tratando de treinos de parkour, já percebi que são poucas as pessoas que treinam sozinhas, nem que seja às vezes. Quando chamei algumas meninas em alguns lugares para treinar, enquanto as mesmas conversavam, eu me levantava e começava a treinar, via olhares de estranhamento... Uma falta de coragem de ser a sozinha treinando.

O que percebo é que as pessoas têm coragem e se demonstram mais fortes quando estão em grupo. Treinar sozinho exige muita concentração, e muitos questionamentos passam na cabeça entre a decisão de correr e a primeira pisada. Não falo de mulheres apenas, vejo muitos rapazes na mesma situação. Canso de ver o cara sentado no local de treino, esperando mais gente chegar pra ter ânimo de levantar a bunda do banco e aquecer o corpo pro treino (isso quando o cara se preocupa em fazer isso!).

Eu vejo uma passividade em QUASE TODOS na hora do treino. Talvez seja o medo de ser olhado como louco por correr por lugares e com um jeito que não foi desenhado pelos urbanistas na construção das ruas. Talvez seja a necessidade de ter um guia, alguém que oriente por onde começar o treino. E isso se reflete no uso do espaço, do pico de treino. Me lembrei do vídeo do encontro feminino. Como eu estava na organização do encontro, participei de poucas oficinas (Afinal, fui tia do lanche e dos curativos. RS!!). Quando assisti ao vídeo percebi uma coisa (que talvez nem todas vão gostar do que vou escrever aqui): alguns percursos e movimentos já tinham aparecido em vídeos. Não é uma crítica, mas sim uma reflexão de que às vezes somos passivos nos nossos treinos. Eles ficam condicionados ao que já fizeram no local (e que assistimos ou em algum vídeo, ou ao vivo). Falta um pouco o parar e pensar: O que posso fazer? Que caminhos posso seguir?

Eu acredito que treinos direcionados são bons para nos trazer disciplina e ajudar a desenvolver capacidades que temos preguiça (porque preferimos melhorar no que temos de melhor). O que eu gostaria que algumas pessoas pensassem (e talvez tentassem levar um pouco pro seu treino) é o pensamento do que pode fazer e como pode fazer, sem precisar ter um guia o tempo todo. Pessoas, lembrem-se de que os que guiam treinos também têm seu direito de treinar livres. E, torná-los responsáveis pela animação dos treinos de vocês é um tanto egoísta, não?

Há mais de um ano, um amigo (SD) parou o treino e disse que queria que eu me movimentasse sozinha por um local. Ao me ver fazendo as mesmas coisas que ele tinha passado, o mesmo me fez guardar estas coisas: gravar o local de treino na cabeça, pensar em cada parte deste e imaginar o que fazer e como fazer do modo mais seguro. Ele falou outras tantas coisas, mas se vocês quiserem saber mais sobre o que ele fala sobre treino, melhor ler um outro texto (http://feminino.parkour.com.br/2011/06/controle-do-movimento.html). Voltando... temos de nos acostumar a pensar no nosso treino, e não deixar o peso para que outras pessoas que treinam conosco levem, ou que o nosso treino se torne uma mera repetição de movimentos vistos em vídeos nacionais ou gringos.

Eu sei que não é fácil. Eu ainda estou em processo. Depois de uma conversa com a Desiré, acabamos por filmar as primeiras tentativas de como pensar em algo para treinar e repetir e repetir. Saiu um pouco cru, mas acho que pode valer como exemplo do que eu escrevi. Eis o link: http://www.youtube.com/watch?v=1LYCIdY4adA

Só peço para que pensem nisso!

Bons treinos!!!

9 comentários:

  1. me fez refletir sobre mim mesma, no começo e durante muito tempo eu nao saia pra treinar sozinha de forma nenhuma...
    Um dia treinei sozinha pq ninguem foi no treino, depois comecei a sair aos poucos, hoje em dia devo dizer q meus melhores treinos sao sozinha, sao os que eu mais rendo.
    O treino com a galera é bom pra aprender coisas novas, mas sozinha é pra aperfeiçoar, é quando eu definitivamente perco o medo pq nao tem ninguem ali pra apoiar e ajudar.
    Acho q os que nao treinam sozinhos é pq nunca tentaram, pq a sensaçao é otima de se fechar no seu mundo com seu corpo e o obstaculo e nao ter nada pra atrapalhar :)

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  2. Sim! Eu também fui treinar sozinha porque furaram comigo em um treino. Eu fiquei um tempão pensando em como começar, pois era estranho pensar em treinar sozinha. Depois foi ficando melhor... mas, não significa que fico sempre à vontade. É um processo, e eu espero ficar mais tranquila conforme o tempo for passando.

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  3. As vezes esquecemos que o principal papel do traceur é traçar seu caminho, e pra traçar seu caminho você só precisa de você! Tati eu amei o texto, de verdade. No começo, assim como a Carol eu também era assim... acho que todo traceur é assim, no começo. Mas com o tempo, com a confiança você aprende que muitas vezes não é o tempo bom que vem é você que tem que fazer o tempo bom! :)

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  4. Meu caso é bem parecido com o da Tati. As pessoas começaram a sumir dos treinos ou a simplesmente furar. Se fosse continuar a depender delas, não treinaria nunca mais. Comecei, então, a treinar sozinha (pelo menos nos lugares mais seguros). Realmente, você se sente meio estranha. Todos que passam ficam te olhando e você não tem mais aquele grupo que, de certa forma, fazia diminuir essa vergonha. Você tem que aprender a se virar sozinha também, não somente no sentido de criar teu próprio percurso e ditar o treino, mas ser mais cuidadosa ao fazer as coisas, porque sabe que está sozinha no lugar (eu já treinei só em lugares que só tinha eu e alguns gatos correndo rsrs). Enfim, me identifiquei bastante com as situações descritas no texto, mas acho que é isso aí, é conseguir se virar mesmo que forever alone e não deixar de treinar por causa disso. =)

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  5. Estou pensando sobre minha postura nos treinos, acho que este texto vai me ajudar muito a mudar ela.
    Certamente não só nos treinos, mas no ambiente do Parkour em geral. Tenho desanimado quanto a atitude de alguns e as vezes me sinto forçado a fazer coisas que não queria.

    Mas no final das contas, as atitudes dos outros não devem influênciar tanto nas minhas, e sim eu controlar até que ponto que eu devo considerar essas interferências no meu modo de ser e de agir.

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  6. Nossa, George! Fico feliz ao ver que o meu texto vai ajudar na sua reflexão sobre sua postura de treino. =]

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  7. Bacana Tati!
    Bom, quando tem alguém para, pelo menos, fazer companhia, não me importo em treinar sozinha. Só não gosto de ficar "forever alone", ou seja, sem uma viva alma no pico de treino, além de mim... Isso é chato e não me traz motivação...
    Bjs!

    Mih PK

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