domingo, 15 de maio de 2011

Confiar em si mesma!

Publicado por Carolinne Goes - Vila Velha/ES




Mais um domingo comum de treino, e mais um desses movimentos em que sua mente trava, lá estava eu tentando fazê-lo sem coragem de ao menos dar a primeira tentativa. Meia hora... E então um amigo que sempre me ajuda muito nos treinos, chega perto de mim. Eu esperando aquela palavra de animação, esperando que ouvir "Vai, você consegue! Você é capaz". E de repente,  ele fala “Você fica limitando seu corpo. Você tem muito mais alongamento que eu, é muito mais alta, e fica aí pensando que não consegue, e nem tenta!”.
Bem, não era nem de perto o que eu esperava ouvir, mas me fez perceber que toda a vez que eu estou prestes a fazer um movimento sempre começo a pensar em todas as possibilidades negativas quanto àquele movimento, e já começo a imaginar tudo de ruim que pode acontecer se eu errar. Eu olho em volta e sou capaz de perceber cada detalhe ao redor, buracos, pedras, distância, altura... Qualquer coisa tira meu foco do lugar aonde quero chegar. Isso me faz lembrar da passagem da Bíblia em que Pedro vê Jesus andando sobre a água e vai tentar também. Estava indo bem, andando em direção a Jesus, até que começa a olhar as ondas ao redor, e no momento em que ele perde o foco ele começa a afundar... Mas, no parkour nós não temos Jesus pra nos pegar quando erramos ou estamos caindo, e é por isso que desistir se torna a opção mais fácil.
Descer do muro e deixar pra outro dia, mudar de obstáculo, sentar e ficar imaginando, é sempre mais simples do que tentar de novo. Ah!!... a mente, esse poderoso instrumento tão necessário no parkour. Parei de treinar meu corpo por um instante quando aquele menino me disse aquilo. Por que estou esquecendo minha mente? Não consigo confiar em mim? Um outro menino me tirou de perto da escada, me distraiu e me fez repetir para mim mesma "eu consigo, eu consigo". Parei de pensar em onde eu estava chegando, me concentrei apenas em onde queria estar, e fiz o movimento.
Eu percebi que boa bronca havia tomado, por que sempre tem alguem pronto pra me ajudar a treinar, disposto a ensinar, querendo que eu evolua, mas ai sou eu mesma quem nao consigo me ajudar a treinar. Tenho que estar disposta a ensinar minha mente que sou eu quem mando. Sem mas, porem, todavia ou entretanto. Porque no momento em que eu desejo de verdade, nao ha obstaculo que possa me parar. Deixar de medo. E de preguiça de enfrentar o medo. Lembrar pra sempre da bronca que recebi, pra nao esquecer que sou boa sim, nas minhas qualidades, e que tenho que usa-las pra burlar meus defeitos. E evoluir. Confiando em mim mesma pra dar o primeiro salto, sem medo de repeti-lo quantas vezes mais forem necessarias.
Tão difícil não olhar em volta, para as pessoas, para as dificuldades, porque é tão humano se preocupar com tudo, e parece ser contra as regras liberar a mente, mesmo que seja em um simples movimento.

8 comentários:

  1. Gostei muito do texto! Me fez lembrar quando você me contou sobre isso e eu disse para você pôr no papel. =]

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  2. demorou mas saiu :)

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  3. Caramba! Amei master! É uma bronca, uma atenção, caramba, to sem palavras!

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  4. Ótimo texto!! Reflete bem meus primeiros meses de treinamento e ainda os meus treinos atuais, quando vou aprender algum movimento novo, ou aumentar minha precisão por exemplo. Fico com um cagaço e começo a me botar defeitos dizendo a mim mesmo que não vou conseguir, que vou torcer o pé, bater a canela, etc...
    Recentemente também levei uma pequena "bronca" dessas de um amigasso meu que treina comigo e percebi a mesma coisa que você.
    Parabéns pela realização e continue sempre assim!

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  5. Sinto a mesma coisa quando vou fazer algum movimento que considero arriscado ou difícil, mas no fundo eu sei que sou capaz, também preciso ouvir de alguém as vezes, ou ter alguém pra me dar segurança, mas é isso ai, temos que enfrentar mesmo esse medo, e nós temos que treinar isso sempre, de dominar o medo. É complicado mesmo, as vezes muito difícil até. Só treinar e ter muita força de vontade para vence-lo. Ahh adorei o texto!

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  6. Daniel ajudou muito...ele foi a voz boa da sua cabeça...
    apesar de sempre termos uma contra (que é a nossa)
    se sabemos que estamos preparados e treinamos a nossa consciência acaba virando inimiga da nossa evolução! Parabéns Carol, retratou exatamente como somos!

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  7. Não tem como não dizer também que amei o texto e me identifico muito com ele. Como a Isis acima descreveu perfeitamente, você retratou exatamente como somos.
    As vezes focamos muito nos obstáculos e duvidamos que iremos conseguir, mas é tão gostoso quando criamos coragem, nos arrisacamos e conseguimos realizar um movimento! Não é só o corpo que precisamos trabalhar no Parkour. Precisamos trabalhar muito a nossa mente.

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