segunda-feira, 21 de novembro de 2011

E o que isso me oferece?

Por Tatiana Silva - http://tatimabersi.blogspot.com/


Bem, todo mundo fala dos incríveis benefícios que a prática do parkour traz, como melhorar a concentração, aprender a lidar com o medo, ser mais equilibrado, etc. Também falo e concordo com esse discurso. Porém, pelo menos aqui no Rio, eu vejo um benefício que não atinge somente a parte física, mas a ideia de cidadão de alguns.

Com o parkour eu aprendi a buscar novos lugares para treinar. Deixei de ficar no mundinho da Ilha e passei a conhecer lugares novos. Passei com isso a ver o Rio de Janeiro de outro modo. Alguns conceitos prévios foram deixados de lado e alguns problemas da cidade ganharam destaque, para mim.

Acredito que o parkour me permite ver a minha cidade e as cidades vizinhas. Faz com que crenças antigas se desfaçam. Pensar que Campo Grande e Santa Cruz são lugares incríveis de treino, e que perto de tais locais as pessoas ainda ficam com suas portas e janelas abertas... que os muros são baixos, que a tão falada violência do Rio não faz com que essas pessoas se escondam e que há casas e espaço para brincar... ao contrário dos altos prédios do Centro e da Zona Sul.

O parkour me fez ver a parte cruel da cidade, onde o asfalto é ruim, onde crianças mendigam, onde pessoas esmolam um prato de comida e atenção, onde o transporte é precário e sem hora para passar, onde os hospitais ficam longe demais ou são ausentes, onde guardas municipais e policiais aparecem uma vez na vida e outra na morte, onde há péssimas condições de moradia.

Não, o parkour NÃO me dá CONSCIÊNCIA, mas me oferece a oportunidade e a realidade para que eu possa desenvolver esse meu lado de cidadã. Eu imagino se a cabeça daqueles que moram na Zona Sul do Rio, e por conta de um bom dia de treino se deslocam para Santa Cruz, para Irajá ou para o Méier, será que não se choca com as diferenças da cidade? Será que não se surpreende em ver que tem gente que acredita na bondade e não fecha as suas casas?

E, se falar nas viagens? A oportunidade se expande e problemas urbanos se repetem, e consegue se vislumbrar algumas soluções, existentes ou não. Na volta, a cidade natal é vista como melhor ou pior. A intenção de transformá-la nunca é a mesma nas pessoas. Alguns podem se mobilizar, outros podem nem se mexer, ou nem ligar para o que acontece.

A oportunidade de crescer como cidadão é oferecida a todos, mas nem todos querem ou estão preparados ou têm maturidade para serem conscientes. Só sei que eu quero. E estou de olhos bem abertos para a minha cidade...

E, é isso!

Fui!

2 comentários:

  1. Eu não tinha lido ainda.
    Gostei muito desse texto tati.
    Principalmente pela frase: "Não, o parkour NÃO me dá CONSCIÊNCIA, mas me oferece a oportunidade e a realidade para que eu possa desenvolver esse meu lado de cidadã."

    Acredito que é exatamente esse o caminho. O Parkour não te dá nada, não te transforma por si só em um cidadão ou uma pessoa melhor. Os valores de cada um não mudam só porque o individuo pratica/treina Parkour.
    Mas com certeza as oportunidades para que essas mudanças aconteçam que o parkour 'disponibiliza' não são encontradas facilmente em outras modalidades.

    E a propósito, estou muito ansiosa para conversar masi ainda com você no feminino

    (:

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