sábado, 1 de setembro de 2012

Tatiana Silva



Nome: Tatiana Maria Bernardo da Silva.

Idade: 27 anos.

Cidade: Rio de Janeiro - RJ.

Há quanto tempo treina? Conheci o parkour há 5 anos, mas treino realmente há 3.

Fale um pouco sobre você:
Sou pesquisadora, embora esteja decepcionada com os profissionais da minha área, não consigo ficar longe de artigos e temas que me façam questionar o mundo. Além disso, tenho um blog pessoal (meu livro de opiniões), colaboro no site Girl Parkour e a convite da Carol ajudo nas ideias para este blog junto com a Patricia e a Juliana .

Como tudo começou?
O meu primeiro contato com o parkour foi provocado pelo meu melhor amigo, Carlos Magno (conhecido por alguns de São Paulo como Pavarotti, e pela galera do Rio como Toguro). E um tempinho depois acabou que eu fui conhecer realmente o que ele fazia quando fui fazer um trabalho sobre tribos urbanas (aliás, a ideia de utilizar o parkour como tema, veio depois que eu vi uma reportagem na Multishow em que uma galera do Rio aparecia). O Carlos me apresentou o Raxa (coitado sofreu com o batalhão de perguntas que eu fiz). Dias depois eu passei uma tarde toda com o pessoal, aí conheci o JJ, Pavel, e alguns que hoje nem participam de mais nada ligado ao parkour. Nesse mesmo dia, presenciei uma discussão por conta de mensagens/críticas feitas em comunidades. Presenciei o Toguro falando para uns meninos que parkour não era esporte e que deveria ser de graça, e depois passando os nomes das comunidades em que os meninos deveriam buscar informações sobre os treinos do pessoal. O Raxa tentou me convencer a treinar naquele dia, mas só treinei umas duas semanas depois.


Eu peguei o contato (celular, msn, etc) dos meninos. Eles me ajudaram muito no trabalho sobre tribos. Na época o JJ era tímido, mas ainda assim me ajudou a apresentar o trabalho na graduação. A turma praticamente avançou em cima dele querendo saber o que era esse tal de parkour. Nesse meio tempo de escrever o trabalho, entrei nas comunidades relacionadas ao parkour, vi alguns poucos vídeos. Convenci o JJ e o JC a fazerem trilha comigo. O JC conseguia ser mais quieto que o JJ, mas como eu sou chata, quando o conheci, fiz que nem fiz com o Raxa: enchi de perguntas. Aí, treinei um tempo, comecei o estágio e fiquei sem tempo para treinar, porque em Administração além das provas os professores amavam trabalhos em grupo (¬¬). Mantive contato com os meninos e sempre arrumava alguma desculpa para envolver parkour nos meus trabalhos. Interessante que eu tinha amigos de faculdade que topavam isso, mesmo sem conhecer ou gostar de parkour.


Lá pelo final da minha graduação o JJ e o JC me chamaram para um projeto de unir as poucas meninas que eles viam treinando no Rio. Foi a primeira tentativa de organizar treinos que eu vi no Rio. Não sou sexista, mas os treinos a parte permitiam a mim e às outras mulheres (Angélica, Crisna, Sarah e às vezes Bruna) espaço para treinar (eu sou egoísta com os locais de treino, quero o muro só para mim... rs!!). Nos treinos em conjunto, eu ficava acanhada não só pela vergonha, mas pelo fato de não ter espaço para aproveitar o local de treino. Lugares como a passagem subterrânea de Botafogo ficam praticamente impossíveis de treinar quando alguém divulga um treino em uma rede social. Ah! Os treinos 'femininos' não eram fechados, só não eram divulgados como os outros.
Antes que você me pergunte, não sou do tipo sedentária. Nunca fui. Aliás, eu gosto de mexer o meu corpo, não importando se em algo solitário ou coletivo. Eu sou a 3ª de 4 irmãos. Logo, sempre fui cobrada. Aprendi a fazer flexões na marra, porque estava cansada de ouvir que era coisa de gente fraca fazer com os joelhos apoiados no chão. Hoje em dia, eles mesmos dizem que faço bem. 



O que você viu no Parkour?
A possibilidade de mexer o meu corpo sem me sentir competindo com ninguém e de superar travas mentais. E isso sem falar das pessoas incríveis que conheci por causa disso. E nem falo das pessoas "famosas", mas das pessoas que se tornaram referência de gente que faz algo em prol do parkour e ao próximo.
No parkour conheci pessoas que oferecem suas casas a outras pessoas. Pessoas que oferecem o melhor de si. A troca de experiência (não apenas sobre treinos, mas sobre a vida) e a amizade que não há dinheiro no mundo que pague. Porém, eu aceito que as empresas aéreas façam promoções para poder estar com essas pessoas maravilhosas mais vezes. xD

O que o Parkour significa para você?
Muitas coisas. Bem, quando eu conheci o Parkour, estava passando por um momento conturbado (estava mal mesmo) na faculdade e com algumas pessoas que eu considerava amigas. A impressão que eu tive na época era de que eu precisava ter os comportamentos que os outros queriam para ser aceita de verdade. Quando eu conheci e convivi com as pessoas que treinavam parkour, eu percebi que eu não precisava competir com ninguém, que eu era a única pessoa que poderia me limitar. 
Não preciso falar muito da recepção dos meninos na época. Sempre me ajudaram, sempre me explicaram coisas que eu não sabia. Aliás, esse é o ponto que eu sempre considerei importante na prática: a disseminação do conhecimento. Todo mundo é professor e aluno (pelo menos aqueles que evoluíram com a atividade). Eu sempre acreditei que conhecimento que não é transmitido, não é válido! Se queremos que a atividade seja respeitada, temos de fazer por onde. Pôr na prática os valores que pregamos. A cada dia que passa mergulho mais e mais em coisas que envolvem a atividade. 



Quais foram os maiores desafios nos treinos?
Eu já passei por diversas fases. Mas, acho que todas as dificuldades que eu tive e ainda tenho são criadas na minha cabeça e não na falta de força. No início era o medo de bater os joelhos (e eu nem estava treinando quando os lesionei), depois era a irritação por não conseguir alcançar as metas de aprendizagem , em outros momentos era o receio de me verem como ridícula. As coisas batem um pouco naquela ideia de sempre achar que é velho para qualquer coisa. Só que elas não vencem por muito tempo. Não quando se treina com a Angélica.
Não sei com as outras pessoas, mas toda vez que algum amigo fala que eu  faço parkour, a imaginação de quem não me conhece viaja e vê o parkour como uma espetacularização. Sabe, algo bonito e ensaiado. No início, eu me cobrava pela imaginação alheia. Eu pensava em treinar para ser como as pessoas imaginavam que era o parkour. A cobrança parou quando eu me manquei de que a evolução é indiviual. Eu não preciso ser a mulher dos vídeos com mais visualizações, ou a que salta a maior distância. Quem sabe o tempo para a minha melhora sou eu mesma, e eu quero levar o parkour ao longo da minha vida como algo natural ao meu corpo.
Outro problema que eu tinha era o receio de treinar sozinha. Até o dia que me vi sozinha em uma praça longe de casa e com a certeza de que as pessoas não apareceriam para treinar. Foi como me pendurar nas barras pela primeira vez, em que bateu uma vergonha, um receio de ter olhos voltados para mim, enquanto eu tentava algo. Sem falar na coisa de dirigir o próprio treino. Muitas vezes nos habituamos à passividade. Precisamos de alguém que dite o que fazer mesmo? Como aprender a deixar as coisas se tornarem instintivas? Alguns amigos (SD e Hugo) foram me ajudando nisso. E aí, eu vi realmente a evolução acontecer em mim. Acho que isso acabou influenciando no meu gosto pelos vídeos simples. rs!!
Com o que aprendi no parkour, eu enfrentei outras coisas. Para quem não sabe, eu não sabia nadar. Embora gostasse muito de praia, ficar muito tempo dentro do mar, me deixava tensa. Me lembro de que sempre ficava na promessa a ideia de aprender a nadar. Até que conversando com o Mesc, este me questionou por que não encarava o medo, até porque não fazia sentido eu treinar parkour e utilizar um discurso de enfrentar medos, se eu me trancava para coisas simples.


Só mais uma coisa!
O meu sonho é ver as pessoas evoluírem de verdade. Não falo de fazerem coisas absurdas e registrando isso em vídeos. Refiro-me a aprenderem a se posicionar como cidadãos. Não podemos apenas reclamar das proibições. Temos de chamar atenção dos que fazem besteira e mostrar que a atividade respeita o bem comum (independente de ser públlico ou privado). Ainda precisamos sentar e conversar para chegar a um consenso, permitindo que todos ganhem. Nós, o espaço e o respeito. Eles, o entendimento de que não prejudicaremos nada. Porque somos parte da sociedade e temos o dever de fazê-la melhorar, começando pelas pequenas atitudes.

E algumas imagens da Tatiana treinando.São velhas, mas estão valendo.

10 comentários:

  1. Poxa, admiro muito a Tati. Não só a traceuse, mas também a pessoa que é.
    Tenho uma vontade muito grande de conhece-la pessoalmente, e aumenta mais ainda lendo esses textos muito legais.

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  2. Obrigada, George! Também sou louca para conhecê-lo. Espero que possa em breve matar essa vontade. =]

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  3. Essa parte do "Só mais uma coisa" foi tudo que faltava pra complementar esse texto bem elaborado e lindo como o seu coração amiga, ele é puro e cheio de espaço para os amigos.

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  4. A garota mais gente fina que eu conheci no Parkour!
    Tati, sua humildade tem muito valor, pra mim!
    Beijos, sua linda!

    Mih PK

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  5. Possui encontros para Jan/2013 gostaria de praticar. Tenho feito Workout quero complementar com parkour

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  6. You are just amazing Tati! And I am very proud to know you personally!

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