segunda-feira, 18 de junho de 2012

Doar-se

Este texto foi a oito mãos. =]

Acredito que qualquer atividade que executamos, se a queremos bem feita, essa nos exige dedicação, uma certa doação para vencermos a paciência e as frustrações de uma melhoria que não ocorre do dia para a noite. Embora seja algo que a atenção deve estar ligada no máximo, e alguns dizem se desligar do mundo enquanto treinam, o parkour consegue ser algo que fica melhor e mais divertido quando se treina com os amigos. O outro ajuda no que você tem medo, naquilo que você ainda não consegue fazer, fornecendo a experiência, orientação e inspiração para alcançar o desejado.

Uma vez eu escrevi que o parkour me permitiu abrir os olhos sobre coisas que ocorrem na minha cidade, tanto boas quanto ruins. E ajudou no desenvolvimento do companheirismo além do treino. Porque só ser legal com quem treina comigo era muito pouco, por que não levar isso para outras coisas?

Foi assistindo a um vídeo do David de Recife que me deu aquela vontade de mobilizar alguns amigos para a doação de sangue. No vídeo, David se preocupou com os bancos de sangue que estavam com os estoques baixos. Ele jogou a bola para que eu, Tatiana, fizesse algo no Rio. Na mesma hora convoquei as meninas para pensarem na ideia de realizar doações em outras cidades. E elas toparam de imediato.

Quando lançamos a campanha, o bacana foi ver que pessoas de algumas cidades toparam a ideia e chamaram a responsabilidade para si. As pessoas adotaram a campanha e convocaram os amigos para participar. E isso é absurdamente válido! Isso demonstra o companheirismo além do treino, demonstra uma postura de ajuda ao próximo que você nem conhece, mas tem certeza de que necessita da sua doação.

Só fico triste ao perceber que tem gente que pelo medo da agulha deixa de doar sangue. Sendo que quando as mesmas encaram um muro alto, uma precisão distante, ou qualquer outra coisa em um treino, o medo motiva a vontade de enfrentar aquilo e obter uma vitória pessoal. Eu não gosto de agulhas, mas entendo que ao enfrentar a agulha, eu permito a vitória de outras pessoas.


Marcamos aqui em Vitoria às 9 horas no Hemoes,  eu sabia onde era o Hemoes mas não sabia onde descer do ônibus, pedi ao cobrador que me avisasse, mas adivinhe so, ele esqueceu de mim.
No momento que eu me vi já estava em outro bairro de Vitória, bem distante, isso meio que me frustou. Eu sabia que alguns meninos chegaram antes da hora pra doar sangue e agora eu iria chegar mais que atrasada. Liguei e contei o que tinha acontecido, os meninos entenderam, mas eu estava muito triste comigo, além de que eu não podia deixar de pensar que da última vez que eu fui doar sangue, e não pude.
Desci num lugar qualquer e atravessei a rua, foi ai que começou a saga de dar sinal pra todos os ônibus e perguntar se passava no Hemocentro, devo dizer que eu cheguei muuuito atrasada.
Nos estávamos em 5, mas infelizmente só 2 puderam doar, e desses dois eu fui uma :)
Foi a primeira vez que eu doei sangue, mas eu não tenho medo de agulha, então pra mim foi bem tranquilo.
O outro menino que doou comigo foi o Rodolfo. Achei linda a atitude dele, porque ele tem medo de agulha, dava pra ver nos olhos dele o quanto ele estava tenso na hora de doar, mas ele ficou lá olhando pro lado, todo nervoso, até o final. Parabéns Rodolfo, como disse a enfermeira, pensa que você acabou de salvar 3 vidas.


Aqui em João Pessoa, Paraíba, convoquei todos os meus amigos que treinam Parkour para participarem da doação. Sempre tivemos em mente que a atividade que fazíamos tinha também como intuito ajudar as pessoas. Alguns já tiveram a oportunidade de fazer isso na prática, eu não. Logo que as meninas vieram com a ideia da doação, me empolguei muito. Pensei que essa seria uma oportunidade de fazer algo bom por outras pessoas e que estava aliado ao Parkour. Infelizmente, o pessoal daqui não pôde ir. Tatuagem, anemia e falta de peso estavam entre os motivos.
 outros amigos, mas na data que marcamos somente Raisa confirmou a ida, era uma sexta. Infelizmente ela acabou tendo uns problemas de última hora e  não conseguiu comparecer também. Resultado, fui doar sozinha. A princípio, iria doar para uma pessoa indicada por Lany, que faria uma cirurgia em breve e precisaria do sangue. Quando cheguei no hemocentro daqui, ela me ligou avisando que a pessoa não precisaria mais, pois já tinham conseguido o suficiente.
Fui doar então como voluntária. Nossa, o pessoal de lá foi muito gentil. Desde a recepção até o ambiente da coleta, o tratamento que recebi foi excelente e isso, de certa forma, me deixou muito mais calma, pois embora eu não tivesse medo de agulha, o fato de me furarem me deixava meio tensa. Enfim, tudo correu bem e eu saí de lá com um sorriso no rosto, porque sabia que havia feito algo bom. Lamento o fato de meus amigos não poderem doar, mas fico feliz porque essa ideia acabou chamando a atenção do time de Rugby do qual participo, e agora vamos juntar uma galera para voltar lá e ajudar mais pessoas!


Aqui em Fortaleza marcarmos uma semana após a data "oficial da campanha". No começo da ideia, meu apoio foi 100% mas admito que não estava completamente convicta de que conseguiríamos "tocar" a maioria dos traceurs, ou até mesmo que conseguiríamos o apoio de todos. No entanto para minha surpresa e imensa alegria, logo no início da divulgação conseguimos o apoio, a divulgação e principalmente: a confirmação de todos os traceurs! Mas isso não significa que foi fácil assim, porque na verdade não foi. Os problemas começaram a surgir.
"Parar um treino de sábado pra ir ao HemoCE doar sangue e ter que ficar o dia inteiro sem nenhum salto?"
Foi esse, o primeiro problema. A resposta e solução para esse problema estava na ponta da língua, e para minha surpresa já estava na cabeça de alguns, e para minha segunda supresa e alegria, no final de semana antecedente a doação me surgiram com a ideia de lançar uma "mão esquerda" a campanha, foi aí que colocamos o: "Leve um amigo para doar por você".
A empolgação foi maior, e os números de confirmações no evento que fizemos no facebook aumentaram cada dia mais. Isso só aumentou a empolgação dos traceurs, e implantou na cabeça daqueles que não queriam "parar o treino de sábado" que Parkour não se faz somente na ponta do tênis.
Mas os problemas não pararam por aí, começaram a surgir "desencontros" no horário e data da campanha. Foi aí que surgiu a solução e, acredito eu, o maior aprendizado que essa campanha deixou aqui em Fortaleza. "Tínhamos o sábado, o domingo e a semana inteira para fazer a doação, a campanha surgiu em um dia x mas a iniciativa de Traceur poderia e deveria se concretizar em qualquer dia, e ela não podia deixar de ser concretizada."
E foi! As doações foram feitas no dia marcado, e após o dia marcado. A maior parte dos traceurs se fizeram presentes, até mesmo aqueles que não poderam fazer a doação estiveram lá.
Aqui em Fortaleza, o medo de agulhas, a gripe, a falta de tempo...não foram empecilhos para fazermos valer a pena sermos chamados de Traceur.
Como estamos repetindo por aqui, nesse dia muito mais que em qualquer outro, demos nosso sangue no treino, literalmente.


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