Por Camila Lopes
Foto: Morgana Gomes
Sabe,
eu sigo seus passos. Vejo os seus vídeos. Acompanho seus movimentos pra fazer
igual. Você é o meu exemplo. Um dia, portanto, quero talvez te olhar com mais
naturalidade. Quem sabe tomar um café, falar até mesmo de outras coisas que não
sejam conquistas. Por exemplo, seu medos, fraquezas: como tudo começou? Como
foi sua evolução? Teve muito medo no início? Assim te sinto mais próxima, mais
humana...
Por
isso eu peço: não me esnobe, por favor. Não me olhe de cima. Até porque, por
mais que eu te admire, eu não te acho melhor que eu. Porque eu sei que a única
coisa que me separa de você é o treino e a dedicação. Ninguém é especial. Não
olhe meus tríceps estourados e cansados como uma prova da minha fraqueza. Para
mim eles são tão fortes... São o meu orgulho. Mesmo que eu não consiga planchar
a 5 pés do chão.
Quero
um dia dizer aos que estão começando: “conhece fulana? Já treinei com ela, ela
era realmente incrível.” Sabe, eu gosto tanto de ensinar aos que estão
começando, com todas as dificuldades possíveis... Eu já fui essas pessoas.
Seguindo a lógica, um dia poderei ser você. Então não se ache assim tão
especial. Os outros me fazem evoluir. Por isso treino com todos; a torcida, as
dicas me ajudam. Queria um dia receber isso de você. Como eu faço com os
outros. Eu não consigo evoluir sozinha. O outro também não. Você também não.
Ouso
dizer que se você tivesse a (não) história de vida física que eu tive,
não chegaria a ser o que eu sou. Cada conquista minha é muito suada. Cada
flexão, cada muro conquistado é um privilégio enorme. Os meus próprios
movimentos me são os mais bonitos. Desculpe dizer, mas por mais que eu te
admire, para mim vale mais o meu muro de 2 metros que a sua precisão de 14 pés.
Para mim, qualquer coisa tem um ar muito mais belo. Bem, eu acho que consigo
ver tudo mais bonito; arrisco a dizer que o meu Parkour é mais feliz que o seu
=). O que você faz já com naturalidade me faz vibrar por dentro quando eu
consigo fazer.
Às
vezes, não tenho tempo e/ou dinheiro para me dedicar mais. E às vezes é
preguiça mesmo. Mas não quer dizer que eu deseje menos que você. Você não me
conhece: quem sabe eu não evolui mais
que você, do ponto onde eu comecei? Sabe, se você tivesse o mesmo medo
que eu, teria a mesma coragem para enfrentá-lo? Nunca saberemos.
Ainda
sobre a evolução: ela nunca é uma linha reta. E nunca é a mesma linha para
todos. As pessoas se esquecem disso. Que o que pode ser fácil para mim é
difícil para você, e vice-versa. E ainda assim, insistem em seguir piamente os
exemplos dos que estão lá na frente. Quem sabe a evolução da cada um não trilhe
caminhos diferentes e leve a lugares completamente novos? Então por que querer
repetir o mesmo movimento?
Pense.
Aproxime-se. Eu gosto de você, da sua técnica, da sua naturalidade em fazer o
que eu ainda não me vejo fazendo. Queria um dia que todas pudéssemos sentar
juntas e falar sem mistérios sobre nossas forças e fraquezas. Somos todos
humanos, poxa. Saia um pouco do pedestal em que nós mesmas te colocamos sem querer,
e venha conversar conosco. Até porque, eu não quero te bajular: só observo
atentamente cada movimento seu para fazer também. Para um dia ser como você.
Que
venham a ti os pequeninos. Que você possa aprender com eles.




























