sábado, 27 de agosto de 2011

É triste o fim




Cara, nunca pensei que fosse chorar tanto ao ver a demolição dos castelinhos. Nunca pensei mesmo. Não sabia que seria tão emotiva a ponto de chorar sem parar ao ver a estrutura ir ao chão. =/
O castelinho não era o meu local favorito de treino. Aliás, no início ele me dava medo com seus muros cheios de cal e limo que me faziam escorregar horrores. Para mim, os melhores treinos lá foram em dias vazios... depois que a galera resolveu partir em que ficamos eu, Sarah, Desiré, Jay e LC e noutro com o SD, Ingrid e Mari. Foram dias que pude pensar em me deslocar de um lado para o outro sem esbarrar em ninguém.
Foi no dia com o SD que aprendi que precisava me imaginar no lugar fazendo um percurso qualquer. E imaginar me fez ir perdendo medo dos muros, e me vendo correndo mais livre. E com isso, ficamos eu e as meninas quando o pessoal resolveu sair da Lagoa e ir à Botafogo, ficamos ali e resolvemos treinar percursos... que nos causaram boas risadas, respiração ofegante e umas imagens bacaninhas.
Ganhei um pouco mais de confiança. Nos castelinhos fiz um dos meus primeiros climbs (roubado até dizer chega). Lá também ganhei três pontos na canela fazendo uma passada. E como foi difícil voltar lá duas semanas depois e tentar fazer qualquer coisa... quanto bloqueio... quanto medo. Toda confiança que ganhei parece que foi embora com a queda. Mas, depois foi melhorando.
E do nada, recebo um e-mail da Angélica triste falando do início da demolição dos labirintos. E daí foram várias tentativas, telefonemas, e-mails, reuniões e nada surtiu efeito. O subprefeito da Zona Sul postergou a data da reunião conosco pra sabe-se lá quando. Não nos recebeu, não nos atendeu, e para retornar as dezenas de ligações foi um parto. E a prometida conversa foi só uma promessa mesmo, né?
De tanto que chorei ao ver o trator colocando a estrutura no chão, vi o pessoal encarregado da obra com pena de mim. Falaram que iam tentar ver se tinha como acrescentar alguma coisa para parkour no projeto da reforma. Mas, foram claros, as chances são mínimas. E deram dicas do que poderíamos fazer. Engraçado que você percebe mais vontade de ajudar em quem não tem poder. É triste, mas é assim.
Tão triste quanto ver tudo indo ao chão, é ver uma geração que se diz amante do local, reclamar apenas na Internet. Ser rebelde nas redes sociais não mudará o mundo. Mas, acho que para alguns só a imagem de revolta é que vale, né?! Tirar a bunda da frente do computador pra quê, né?! Nem todo mundo poderia ir. Eu sei... trabalho, provas, prioridades, etc. Mas, quem poderia ficou em casa comentando em algum vídeo do Youtube ou reclamando no Facebook, Twitter e Orkut. Agradeço aos que foram. Éramos 7. Mas, tentamos.
E ao ver as coisas indo pro chão, vi a estrutura resistir. Pensei que seria coisa rápida, mas o concreto dali era forte. Fui embora porque não aguentava mais aquela tristeza e o sentimento de impotência em mim.
E eis as fotos...


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