segunda-feira, 23 de abril de 2012

Vazio pós Nordestino...

Por Ana Antar, publicado em http://murodaana.blogspot.com/




Verdade que esse texto está saindo bastante fora de época, se bobiar já já entramos em ritmo de São João, mas a falta de tempo somada à inabilidade das provedoras de internet de Salvador, fizeram esse textinho só sair agora.
Vamos ao que interessa!
Definitivamente, esse é um dos textos mais emo que eu já escrevi.


Estranho como algumas coisas mudam completamente as nossas vidas. O Encontro Nordestino é uma delas. Pode parecer exagero, mas hoje entendo o Nordestino como um divisor de águas e só quem já foi vai entender. Coisas que eu há muito havia perdido, retornaram para minha vida através desse Encontro. Coisas e pessoas de que hoje eu não abro mão. 

Se existe ressaca de carnaval, a minha esse ano veio com gostinho de quero mais. Acabei de chegar do 5°Encontro Nordestino de Parkour e não tenho dúvidas de que algumas coisas são inexplicáveis.
Contrariando todas as expectativas, eu fui para o Nordestino/Retiro Espiritual. 

Para quem lembra, desde que a data do encontro fora divulgada eu me manifestara contra publicamente, achando a data extremamente sectarista, por ser uma época em que as passagens de avião estão demasiadamente caras. 

Enfim, não existia nada favorável para eu ir ao Encontro, mas eis que surgiu o nosso queridíssimo Ander com a ideia de sair de Juiz de Fora de carro, passar em Salvador e em Aracaju rumo a Maceió, e eu virei parte dessa maluquice tudo bem que ele queria na verdade testar o carro novo. 

Na quinta-feira à noite Ander chegou a Salvador, com cara de criança cansada de brincar com brinquedo novo. Foi assim que eu entrei nessa história. 

No dia seguinte entramos no carro, pegamos o resto da encomenda de Soterópolis (Fallux e Gustavo Tartaruga) e rumamos para pegar a nossa encomenda sergipana, nosso não tão querido Duddu.
Chegamos a Maceió na sexta à noite com muita fome e muita história pra contar (né Duddu?). Eis que estou eu no Encontro Nordestino, perplexa de como as coisas podem acontecer sem que planejemos. 

O Encontro foi digno do nome, pois antes de qualquer coisa ele foi um grande ENCONTRO, entre pessoas, entre praticantes... Que serviu para quebrar preconceitos e paradigmas de muita gente. Sabe aquele ditado que diz que o ano só começa depois do carnaval? Pois é, não tenho dívidas, o meu só começa depois do Nordestino. Um encontro único com um calor humano ímpar (apesar do frio do ar-condicionado do alojamento), com pessoas dispostas a ajudar umas as outras, cada pequena dica, cada pequena atitude, antes de nos tornar tracers melhores nos torna pessoas melhores.

Apesar de não querer me ater às questões técnicas do Encontro, existem algumas coisas que não tem como passar em branco, a exemplo do esforço da Pri para fazer as coisas saírem o mais perfeito possível, a qualidade do que foi oferecido, desde os quartos limpos, com cama e ar-condicionado, até o entorno do Estádio Rei Pelé que por si só já é incrível, com seus picos secretos que fizeram a alegria do Encontro. Outro ponto singular do evento foi a sua estrutura livre. Não tínhamos treinos guiados, workshops nem um cronograma fechado. Cada praticante tinha autonomia para montar os seus treinos no horário e no local que queriam, e sou obrigada a confessar que esse ponto teve um efeito completamente contrário ao que eu imaginava, pois ao invés de gerar bandalheira e dispersão deixou todo mundo muito confortável para organizar os seus treinos. Excetuando os Ybiangas que ficaram no seu quarto superluxo com o seu Play 2, cafeteira, microondas e mais qualquer coisa que eu provavelmente já esqueci. 

Outro ponto forte do evento foi o Duddu de chapinha, ou escova inteligente, como ele prefere se defender. Tudo bem que isso não muda muita coisa, mas é bem estranho...

O Encontro foi regado a coisas incríveis, treinos, arranhões, bolhas, queixos quebrados, contudo, teve uma coisa que até hoje eu não vi em nenhum evento: Uma vontade de estar junto, de ajudar o outro. Óbvio que existiam grupinhos, mas era algo natural, não eram pessoas competindo entre si por status ou qualquer coisa do tipo. Eram pessoas que se predispuseram a estar juntas pelo prazer que isso gera e o Parkour foi um meio. E mesmo assim ninguém treinou menos por isso, pelo contrário. 

Desse encontro só levo o melhor, das pessoas, do lugar...
Levo saudades e espero sinceramente que o próximo encontro preserve o clima, o entendimento, a vontade do que é o Nordestino. 

Meu sincero obrigada a todos que fizeram isso acontecer. Todas as pessoas incríveis que tornaram o Nordestino um ENCONTRO. 

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