segunda-feira, 2 de abril de 2012

Não desista - Por: Rafael Dias

Rafael Dias tem uma pequena deficiência em um dos pés e nas duas mãos.

Creio que poucos conhecem sobre a deformação da minha perna, sempre perguntam se é acidente ou nascença, na verdade é os dois. Quando minha mãe estava grávida de 6 ou 7 meses caiu de barriga e só soube da deficiência após meu nascimento. Comecei a andar com 8 meses de idade, coisa que os médicos não souberam explicar muito bem na época pois eu não tenho o osso da perna chamado fíbula ou perônio. No caso da mão um médico disse que não tinha relação com o acidente, mas sim que é genético. Então fica essa incógnita. Nasci com dois dedos colados. E o dedo que não tenho é o anelar, alguns teimam ser o mindinho, mas a mão é minha e eu decido! rs Poucos reparam mas tenho 17 dedos no total. Desde pequeno eu já era meio Traceur. Aos 3 pra 4 anos de idade eu era famoso por dar várias estrelinhas seguidas até cair. 
A deficiência nunca fui um problema pra mim, sempre me achei igual a todos e me mostrava melhor àqueles que tentavam me inferiorizar. Com 11 anos de idade fiz uma cirurgia que seria a primeira de muitas, mas desisti das outras seguintes porque era muito sofrimento, eu iria perder minha adolescência e iria engordar muito como aconteceu. Cheguei a engordar quase 10 quilos, pois eu não podia andar, tinha até peitinho de moça rs. 
Sempre gostei de esportes e me mexer! Futebol, vôlei, capoeira, handball, basquete, mma, jiujistu e agora Parkour. Foram esses os esportes que pratiquei durante minha vida. Creio que aprendi por causa da minha deficiência o respeito mútuo, respeitar e ser respeitado, acreditar que qualquer pessoa é capaz de conseguir aquilo que realmente deseja, mas que ela só consegue se ela tiver força de vontade, pois apenas ela pode conseguir aquilo pra si. 
E desde pequeno aprendi a levar minha própria deficiência na brincadeira, assim como fiz uma "mágica" pra Janaína Souza (traceuse de Fortaleza) em que mostrava os dedos e ela pensou ser brincadeira. Gosto de apelidos como perninha, etc. Mas sempre tem o lado ruim, o preconceito que sempre sofri, principalmente naquela idade em que não sabemos lidar com a situação que é na infância, e também dores que eu sentia muito pois era muito mais sensível do que hoje. E também algumas dificuldades nos esportes como andar de patins, nunca andei, nem de skate por causa do equilíbrio e alguns movimentos no próprio Parkour. 
Mas o que teria o medo e a dor se não existisse a coragem, o evoluir e a superação?  



Ser forte para ser útil


2 comentários:

  1. SER FORTE PARA SER ÚTIL!!!!!!!!!!!! AMEIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  2. Eu tive a oportunidade de conhecer esse cara pessoalmente que se tornou meu irmao no exato momento que bati o olho nele e depois conversamos sobre o que aconteceu em nossas vidas, ele a questão da perna e a do olho.
    Não posso nem imaginar o que seria minha vida como tracer sem a troca de experiencias que passamos aqui em Currais Novos quando ele nos visitou.
    Ser forte pra ser util!

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