sábado, 10 de março de 2012

Questão de respeito

Nada como uma conversa com a Danny Tiemy para me lembrar de expor a minha opinião sobre um assunto que as pessoas que treinam comigo já sabem: respeito ao parkour, às pessoas e aos bens (públicos ou não).


Sim! Acredito que o parkour torna o nosso corpo livre. E sim, os primeiros vídeos que assisti a galera pulava as lajes dos prédios. Mas, convenhamos, invadir espaço alheio além de crime dá uma conotação muito ruim à atividade que tanto nós (ou pelo menos muitos de nós) queremos que a sociedade trate com respeito. Há tantas praças e espaços públicos para serem descobertos, por que invadir o que não é seu? E outro ponto, quer respeito, respeite o que não é seu, e o que pertence a todos.

Algumas pessoas não entendem que no que diz respeito às praças, temos de entender que são espaços compartilhados com toda população. Parquinhos que utilizamos para melhorar o nosso flow, normalmente são construídos para as crianças. E já vi muita gente treinando, ignorando as crianças que correm no seu pique-pega entre um brinquedo e outro. E, por conta disso acaba que temos de sair do local a pedido de algum guarda que recebeu a reclamação de alguns pais.

Há um outro ponto que precisamos levar em consideração quando se trata dos espaços:a conservação. Já vi gente quebrar coisas, dar às costas e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Eu, Tatiana,  não consigo ser assim! Eu realmente acredito que para ter, pedir, exigir qualquer coisa, temos de ser exemplo, temos de respeitar e assumir as consequências das nossas atitudes.

Se um prédio é abandonado (não digo vazio com vigia), não vejo problema em usá-lo para treino. Mas, antes é melhor conversar com os vizinhos do local. No caso do B13, em Lavras, as vizinhas aprovam os treinos no local, pois veem no parkour um bom uso para o espaço, em vez de ser ponto de prostituição e usuários de drogas.

Para a Danny: "O Parkour dito e mostrado de forma verdadeira, evita o mal entendido. É comum hoje em dia nos depararmos com pessoas que ainda não conhecem a prática, que nos veem apenas como 'doidos' que pulam de um lado ao outro e escalam paredes..taí !Temos de mudar esse senso comum. Você mesmo, já tentou se colocar no lugar do expectador? Suas práticas, estão de acordo com o 'pure parkour', no caso, a essência da prática com liberdade, porém com responsabilidade?"

Peço desculpas se fui rude no texto, mas não consigo ser fofa com esse assunto. E mais uma coisa: diálogo sempre é a melhor opção! Afinal, todos querem mais lugares para treinar e não proibições. Correto?!

8 comentários:

  1. Me lembrou de uma reflexão interna que fiz uns meses atrás e da conclusão que eu cheguei. Em minha cabeça, os obstáculos tem vida. Vida orgânica mesmo. Eles são parte essencial do meu aprendizado, do meu treino e, quando estou em movimento, eles se tornam extensão dos meus braços e pernas. Parte de mim mesmo.

    Quando eu danifico um obstáculo, seja ele o que for, rola sempre um momento de reflexão e de piedade, como se eu tivesse pisado no pé de alguém ou machucado. E é isso mesmo que acontece. Você machucou algo que estava quieto.

    Da mesma forma eu aprendi a encarar a leveza da minha movimentação e a repassar esse pensamento aos novatos. O chão está quietinho na dele, porque então você vai lá treinar e pisará nele com o calcanhar com a maior força do mundo? Absorva, pra que o chão não se sinta tão incomodado. Respeite-o.

    Sei que é um pouco abstrato demais essa idéia, mas ela têm me ajudado desde sempre. Tanto a melhorar meu comportamento nos treinos quanto a entender minha relação com o espaço e as obrigações que tenho com ele.

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  2. Sim, Duddu! Você torna o espaço que você usa como um ser vivo. Talvez se alguns pensassem assim, cuidariam melhor das suas cidades.

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  3. Isso é um ponto de partida Duddu, ótimo aliás.. mas que fique dito e dado a ênfase de cautela tanto com o seu corpo, quanto ao local de treino.


    Bons treinos !

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  4. Bem, sou iniciante, ainda, no parkour(Participo do Parkour Slz - De São Luís-MA - Com Leonan, Romeu e Cauê)...
    Com poucos meses já havia percebido essa ideia de que os obstáculos tornam-se partes de nós... Com um tempo percebi que a prática já fazia parte do que eu era, do que eu tinha me tornado... E com isso havia começado a perceber o ponto que o Duddu comentara acima: O fato de tomar o movimento com leveza a ponto de absorver mais o impacto que liberá-lo no obstáculo...
    Tive observando também que com um tempo...O ambiente realmente torna-se meio que extensão do nosso corpo...
    Achei muito interessante e bem útil as reflexões que esse texto proporcina Tatiana...
    Nada como um 'puxão de orelha' de vez em quando né? ^^'
    haha
    Um abraço pra vcs

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  5. Gente a postagem acima está como Luanda de Abreu, Mas sou a Karla Pestana...(postei com o nome do meu blog ^^')

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  6. Nossa que legal, e não foi rude não Tati. Foi realista.
    Muita gente age como se o espaço ou o objeto público permita que seja utilizado de qualquer forma ou só por uma pessoa. E a partir do momento em que se pensa assim a pessoa já começa a tentar fazer com que o público vire particular.
    Os maiores problemas são falta de informação, comunicação e educação por diversas pessoas

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  7. Só um detalhe simples Tati. Sobre os primeiros vídeos de praticantes "pulando de telhado em telhado". Um ponto a ser observado são as diferenças culturais e conseqüentemente arquitetônicas entre o Brasil e os países europeus. Creio que essa conduta em particular, não seja tão "mal vista" por lá. Tudo depende muito da estrutura que se tem nas mãos. Sorte dos ingleses! Fazer o que? rs..
    Cabe a nós, ocuparmos as centenas de praças completamente desocupadas e abandonadas, tanto pela população como pelos governantes.

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