Hoje, em meio a correria do dia-a-dia, parei pra pensar sobre o que Parkour significa pra mim. Como muitos aqui costumar dizer, "Na real".
O Parkour não mudou apenas minha forma física, o que para muitos infelizmente é só isso que ele muda.
O "Le Parkour", sim era assim que era chamado o Parkour quando comecei a treinar e me apaixonar por ele, me ensinou a acreditar em mim. Parkour me ensinou a lutar por algo que desejo e saber que quando se quer, você pode sim!
Parkour me ensinou a conhecer e respeitar meus limites, bem como me ensinou a entendê-los e assim superá-los. Parkour me fez entender que o que "as pessoas pensam" é simplesmente o que pessoas pensam, você perde muito tempo se importando com isso e o tempo é precioso!
Parkour me mostrou que, muitas vezes, chegar onde se deseja é difícil, mas para conseguir você precisa dar o primeiro passo e não desistir nos próximos. Parkour me fez perceber que a mente manda sempre no corpo, a gente costuma se enganar quando pensa o contrário, essa é a verdade. Parkour me trouxe o real significado da frase "be strong" que tenho tatuada em meu corpo!
O Parkour me trouxe uma família sem medidas, quando digo sem medidas eu falo sério.
"Le Parkour, Parkour, esporte, paixão, família, estilo de vida."
Esse amor grande que tenho, me fez parar e ver que a vida em muitas vezes é difícil, que todos temos nossas diferenças mas que no fundo todos somos iguais, que errar e tentar são duas coisas muito importantes para conseguir o acerto e se chegar onde se deseja, que enfrentar seus medos só depende de você e independente dos seus medos eles são apenas medos, que provar o seu valor é algo que você deve colocar no topo da sua lista e não marcar como feito n-u-n-c-a, me fez ver por inteiro que a vida é feita para ser vivida e não apenas assistida!
Parkour me fez ver, entender e sentir bastante coisa que eu não via, entendia e muitos menos sentia antes de ser Traceuse.
Mas acima de tudo, o Parkour colocou no meu coração que Ser forte para ser útil é algo necessário para se chegar onde quer que você queira chegar, e acredite, onde você quer chegar nunca será longe se você usar uma passada, um precision ou cat-leap.
Seus medos são tão reais quantos seus sonhos, ambos andam lado a lado, mas só você decide quem fica e quem vai embora.
Há quanto tempo você treina? Treino há 3 anos, me dedico ao Parkour há 2 anos e dou aulas há 1 ano.
O que o parkour significa para você?
Superação, determinação, valores, educação, cuidado, e principalmente amor pelo que faço! Trabalho com o que eu amo e se tiver um cidadão infeliz que queria atrapalhar, já aviso! Chega aí e vem ser feliz fazendo algo que presta =P
Quais foram os seus maiores desafios quando você começou a treinar parkour?
Força física, mas principalmente o preconceito por ser mulher (bailarininha) treinando um esporte bruto de marginal.
Fale 'um pouco' sobre você
Eu iniciei meus treinos no dia 19 de abril de 2009. Tudo começou quando o grupo de Sorocaba precisava de uma 'coreografia' de Parkour para uma apresentação, já que buscavam divulgar mais o Parkour na cidade. Um dos praticantes me procurou e eu comecei a ensaiar com eles (dai descobri que coreografar tracer é muuuuito difíciilll). Para poder montar a coreografia eu precisava saber mais sobre os movimentos e a filosofia para passar algo verdadeiro. Em meio a essa pequena pesquisa comecei a treinar com eles, nessa eu me apaixonei! Era treino o dia inteiro! De segunda a segunda, sábado, domingos e feriados. Eu realmente estava fascinada na capacidade que aqueles meninos tinham, tanto físico como mental, como podia perceber nas conversas. Eram garotos diferentes dos comuns. O que mais me encantava era a segurança que passavam não só pra mim e não apenas em relação ao Parkour, mas em quesito de serem pessoas confiáveis! (coisa que acho muito fera no Parkour!)
Logo me tornei coordenadora do grupo Legião Le Parkour e depois criamos o grupo Parkour Sorocaba, o qual também era coordenadora. Fizemos diversos eventos e encontros e meu interesse era que eles aprendessem a falar sem gíria, a saber se expressar e saber colocar suas idéias no papel, fizemos varias reuniões e nelas as dinâmicas... É claro que não deu certo! Hahahha. Logo cada um começou a tomar seu rumo por conta de faculdade e trabalho e o grupo começou a se desfazer.
Entre 2009 e 2010, conversando com algumas traceuses, resolvemos fazer o 1º Encontro de Parkour Feminino em São Paulo, que é aquele da camiseta preta com a traceuse saltando o salto. Foi muitoooo bommm!!! Lá conhecemos a Sandra Klages da Alemanha e começamos a trocar idéias sobre o Parkour feminino no mundo, foi aí que surgiu a idéia de criar uma camiseta do Parkour Feminino do Brasil, assim ela levou para a Alemanha e a idéia cresceu em representar o Parkour Feminino em todo o Brasil com uma camiseta padrão!
Mas voltando ao interesse no Parkour, como eu já estava cursando Educação Física e estava muito interessada em conhecer a história do Parkour, resolvi mudar meu Trabalho de Conclusão de Curso de dança, fazendo o TCC: Uma Proposta do Parkour para a Educação Física, mostrando a visão do Parkour e defendendo a importância de ser estudado pela Educação Física lembrando da necessidade de ser praticante para atuar como instrutor.
Mas esse TCC não foi muito fácil não. Não tinha apoio dos praticantes locais, muitos professores não aceitavam e havia pouquíssimos artigos científicos, posso dizer que quase nenhum. Nessa busca conversei com várias pessoas de todos os cantos do mundo, dentre elas o pessoal da PKABC, GT, ABPK, OMNIS, (não vou citar nomes do pessoal do Brasil porque foram muuuitoss e é muito fail deixar de citar alguém!) além de Parkour Generation, e consegui tirar algumas dúvidas com Kazuma, Daniel Ilabaca, Oleg Vorslav, Pip Andersen, Dan Edwards, Shi Ong, Gema Cabanillas... só não falei com o David Belle porque ele não tinha facebook hahaha. Aprendi um pouco de Espanhol, Inglês, Francês, e tirei meu diploma de "Fluente em Google Tradutor".
Um dia antes da entrega do TCC eu resolvi mostrar para um dos meus professores, que eu lembro até agora do ar de deboche ao folhear dizendo "AHaha! Isso não vai ser aceito! Olha só! Não tem nenhuma referência de livro sobre Parkour! Pode esquecer!", naquele dia eu voltei pra casa quase chorando. Tentei ligar para tudo que era tracer, do Nordeste, São Paulo, Florianópolis, para ver se alguém sabia sobre algum livro de Parkour, foi assim que consegui mais material e consegui fazer o que faltava no trabalho. Pra minha felicidade, uma semana depois chega de presente direto do autor o livro "Parkour & Freerunning - Dan Edwards". No próximo semestre escrevi com um amigo um artigo falando sobre O Parkour, O mito da Caverna de Platão e o Educador Físico.
A entrega desses trabalhos foi um grande feito pra mim e apresentá-los foi uma realização! E não posso deixar de citar um dia que foi muito tocante. Eu estava sozinha na sala de aula escrevendo projetos, no finalzinho do ultimo ano de Ed. Física e um professor sentou na minha frente e disse “Ana, vi algumas reportagens suas, vi seu trabalho e eu acho que devo desculpas a você, quando você fez seu TCC eu não falei nada, apenas deixei que fizesse, mas não acreditava nele. E você conseguiu mostrar que existem coisas novas que merecem respeito e que o profissional de Ed. Física precisa abrir a mente, estudar e ir atrás!” , cara alguém aqui tem noção do que é um professor falar isso? Foi tocante!
Nesse meio tempo entre a entrega do TCC e as reportagens, vendo que não tinha muito apoio para treinar, entre eles dos meus irmãos, pais, amigos, colegas, enfim, comecei a desanimar. Muita gente dizia que o Parkour era coisa de marginal, que aquilo não ia dar certo, que não dá para viver disso. Teve gente que criticou para o bem, mas teve gente que não economizou palavras. E assim um belo dia cheguei à minha casa e falei "Vou parar de treinar Parkour!" Minha mãe olhou bem pra minha cara e falou "VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ QUISER DA SUA VIDA, MAS, SE FOR PRA VOCÊ OUVIR PESSOAS QUE NÃO TEM NADA A VER COM VOCÊ, NÃO SABEM O QUE VOCÊ PASSOU PARA CHEGAR ATÉ AQUI! NÃO SABEM O VALOR DO PARKOUR! MAS, É VOCÊ QUEM DECIDE! O PARKOUR MUDOU VOCÊ, TE ENSINOU A ESTUDAR MAIS, A CORRER ATRÁS DOS SEUS OBJETIVOS, A NÃO DESISTIR, A SER MAIS FORTE E ACREDITAR EM VOCÊ, FOI POR ELE QUE VOCÊ DEU A CARA A TAPA PARA PREFEITURA, PATROCINADORES, PESSOAS IMPORTANTES! E AGORA VOCÊ VAI PARAR? NÃO SEJA FRACA!".. Bom, depois dessa alguém ainda tem coragem de parar de treinar??? Isso foi pior que um monte de soco! Foi pra acordar mesmo! E assim sentei na frente do computador e voltei a escrever, projeto atrás de projeto, planos de aula, formas de treino, leitura atrás leitura, ideias que não paravam mais!
Nisso, apenas um praticante continuou comigo na batalha, assim criamos o projeto Parkour Território Jovem em parceria com a Secretaria de Juventude de Sorocaba que nos recebeu muito bem e passou a nos ajudar com tudo o que precisávamos! Fomos com a ideia de usar o Parkour para atrair jovens e por meio dele ensinar valores como respeito, disciplina, responsabilidade, cuidado, além dos treinos físicos e mentais. Porém, depois de mais ou menos 10 meses ele, que era meu braço direito e quem eu mais confiava e me dava força, saiu do projeto. Um pouco antes eu tinha medo, muito medo de levar tudo sozinha, afinal uma mulher levando uma atividade vista como de marginal, bruta e masculina... aí foi hora de levantar a cabeça novamente e estudar ainda mais, entrar em contato com tracers e traceuses para saber cada vez mais como passar os treinos!! Foi ai que conheci a força do Parkour! A força de mudar as pessoas! De mostrar as pessoas habilidades que elas mesmas nem sabiam que existiam! De fazer pessoas revoltadas ou sedentárias se tornarem praticantes com objetivo na vida! Pessoas que agora sonham e buscam! Aprendi muito com isso! E isso não é fazendo referência apenas a mim, mas também vendo as mudanças nos alunos. Atualmente não tenho apenas jovens em um projeto, tenho alunos que fazem a diferença onde quer que vão, porque respeitam e ensinam a respeitar! São altruístas, e tenho certeza que são fortes para ser úteis! Duvida? Pergunta pra eles! Ou melhor, vem treinar com a gente um dia =D
Voltando aos treinos, vendo a dificuldade das meninas se manterem nos treinos mistos, uma vez que tem dificuldade em treinar junto aos meninos, como acompanhar as flexões e o treino físico em geral, ou em cair sem querer na frente de muita gente e ficar envergonhada, iniciei as aulas/treino de Parkour Feminino no Território Jovem Ipiranga. Lá dou mais atenção no treino tendo foco no que as alunas mais precisam. Até que elas tomem iniciativa de freqüentar os treinos mistos.
Tá acabando!!!!
Então, comecei a fazer eventos, estudar cada vez mais, manter mais contatos, me interessei em viajar ainda mais e conheci pessoas maravilhosasssssssssssssssss! Meus pais, meus irmãos, meus amigos e graças a Deus mais pessoas me apóiam, me ajudam, e me dão forças! Apareceram pessoas incríveissssssssss que tão sempre do meu lado me ajudando!!! Ah, e deixando claro que sempre em paralelo esteve a dança!
Hoje sou formada em Educação Física com muito amor e orgulho, sou professora de dança, dançarina e modelo de fotos de dança no meio urbano (União da dança e do Parkour), e nos projetos de Parkour conto com a ajuda de 3 amigos praticantes e 1 amigo fisioterapeuta para levar todo este trabalho para mais e mais pessoas, com segurança, levando não só o Parkour, mas também a educação e os valores que conseguimos através dele!
Bom, esse é um pouquinho da minha trajetória no Parkour!
Obrigada para quem leu até aqui =)
Bom, deixa eu aproveitar aqui e agradecer a oportunidade! Sou muitooo fã do blog, sou muito fã de tudo vem a acrescentar ao Parkour! Muito obrigada pela chance e Parabéns pelo trabalho de vocês! Admiro muito! Sucesso =D
Eu queria poder entrar aqui e dizer que tivemos 100% de proveito no evento "ame sua missão". Mas, acredito que seria um erro grande jogar essas palavras para o ouvido de todos. Tivemos maravilhosos momentos, momentos de recordações, alegrias e tristezas. A minha real intenção de promover o Ame sua missão aqui em Natal, era para simplesmente mostrar a todos que eles não estão sozinhos, muito menos sem família e ajuda.
Deixa-me triste dizer que o que me impulsionou a fazer isso foi uma das maiores dores que um ser humano pode ter, a dor da perda, de nunca mais ver um sorriso verdadeiro de um verdadeiro amigo, a dor de não poder ouvir um “é seu, você consegue” a dor de não poder ouvir “deixa eu te dar uma dica que eu uso”. Tal dor que nunca será esquecida.
O movimento "ame sua missão", infelizmente começou tarde demais. Mas não tarde demais para não começar. Sinto que para poucos foi passado o real sentido de ser simples e conquistar o mundo com isso! A maneira de enxergar e sentir a essência da amizade e dos movimentos. Não queria que vissem nem chamassem o Ame sua missão de encontro, pois era algo muito além disso, era uma reunião de família, para sentar, conversar e se conhecer.
Fico triste de não ter implantado essa ideologia na mente de muitos no evento, mas, por ouro lado fico feliz por ver que alguns tenham entendido o real sentido. Sei que algumas pessoas presentes já conheciam o que eu queria passar, e isso ajudou muito! E ver que o "Ame sua missão" não ficou aqui, me deixa mais do que feliz.
Da pra sentir que o "Ame sua missão" está só começando e acredito eu, que vai muito longe. Com os trabalhos e dificuldades vamos dando um passo a frente e melhorando nossa maneira de pensar, caminhar, falar, treinar e sentir. Somos mais que pessoas, somos traceurs. Como recordo de um amigo meu. “Vivemos sem limites, sem limites para evoluir”. Estamos sempre crescendo, e sendo humildes o suficiente para fazer outros crescerem conosco.
A sensação de estar em família, de poder sorrir, compartilhar sentimentos, dizer eu te amo para alguém próximo, e ver que esse alguém viu a verdade nos teus olhos.
- Não existe coisa melhor nesse mundo.
Ame sua missão e saiba fazer com que ela seja passada adiante!
Tratando de treinos de parkour, já percebi que são poucas as pessoas que treinam sozinhas, nem que seja às vezes. Quando chamei algumas meninas em alguns lugares para treinar, enquanto as mesmas conversavam, eu me levantava e começava a treinar, via olhares de estranhamento... Uma falta de coragem de ser a sozinha treinando.
O que percebo é que as pessoas têm coragem e se demonstram mais fortes quando estão em grupo. Treinar sozinho exige muita concentração, e muitos questionamentos passam na cabeça entre a decisão de correr e a primeira pisada. Não falo de mulheres apenas, vejo muitos rapazes na mesma situação. Canso de ver o cara sentado no local de treino, esperando mais gente chegar pra ter ânimo de levantar a bunda do banco e aquecer o corpo pro treino (isso quando o cara se preocupa em fazer isso!).
Eu vejo uma passividade em QUASE TODOS na hora do treino. Talvez seja o medo de ser olhado como louco por correr por lugares e com um jeito que não foi desenhado pelos urbanistas na construção das ruas. Talvez seja a necessidade de ter um guia, alguém que oriente por onde começar o treino. E isso se reflete no uso do espaço, do pico de treino. Me lembrei do vídeo do encontro feminino. Como eu estava na organização do encontro, participei de poucas oficinas (Afinal, fui tia do lanche e dos curativos. RS!!). Quando assisti ao vídeo percebi uma coisa (que talvez nem todas vão gostar do que vou escrever aqui): alguns percursos e movimentos já tinham aparecido em vídeos. Não é uma crítica, mas sim uma reflexão de que às vezes somos passivos nos nossos treinos. Eles ficam condicionados ao que já fizeram no local (e que assistimos ou em algum vídeo, ou ao vivo). Falta um pouco o parar e pensar: O que posso fazer? Que caminhos posso seguir?
Eu acredito que treinos direcionados são bons para nos trazer disciplina e ajudar a desenvolver capacidades que temos preguiça (porque preferimos melhorar no que temos de melhor). O que eu gostaria que algumas pessoas pensassem (e talvez tentassem levar um pouco pro seu treino) é o pensamento do que pode fazer e como pode fazer, sem precisar ter um guia o tempo todo. Pessoas, lembrem-se de que os que guiam treinos também têm seu direito de treinar livres. E, torná-los responsáveis pela animação dos treinos de vocês é um tanto egoísta, não?
Há mais de um ano, um amigo (SD) parou o treino e disse que queria que eu me movimentasse sozinha por um local. Ao me ver fazendo as mesmas coisas que ele tinha passado, o mesmo me fez guardar estas coisas: gravar o local de treino na cabeça, pensar em cada parte deste e imaginar o que fazer e como fazer do modo mais seguro. Ele falou outras tantas coisas, mas se vocês quiserem saber mais sobre o que ele fala sobre treino, melhor ler um outro texto (http://feminino.parkour.com.br/2011/06/controle-do-movimento.html). Voltando... temos de nos acostumar a pensar no nosso treino, e não deixar o peso para que outras pessoas que treinam conosco levem, ou que o nosso treino se torne uma mera repetição de movimentos vistos em vídeos nacionais ou gringos.
Eu sei que não é fácil. Eu ainda estou em processo. Depois de uma conversa com a Desiré, acabamos por filmar as primeiras tentativas de como pensar em algo para treinar e repetir e repetir. Saiu um pouco cru, mas acho que pode valer como exemplo do que eu escrevi. Eis o link: http://www.youtube.com/watch?v=1LYCIdY4adA
Por Ana Antar, publicado em http://murodaana.blogspot.com/
Verdade que esse texto está saindo bastante fora de época, se bobiar já já entramos em ritmo de São João, mas a falta de tempo somada à inabilidade das provedoras de internet de Salvador, fizeram esse textinho só sair agora.
Vamos ao que interessa!
Definitivamente, esse é um dos textos mais emo que eu já escrevi.
Estranho como algumas coisas mudam completamente as nossas vidas. O Encontro Nordestino é uma delas. Pode parecer exagero, mas hoje entendo o Nordestino como um divisor de águas e só quem já foi vai entender. Coisas que eu há muito havia perdido, retornaram para minha vida através desse Encontro. Coisas e pessoas de que hoje eu não abro mão.
Se existe ressaca de carnaval, a minha esse ano veio com gostinho de quero mais. Acabei de chegar do 5°Encontro Nordestino de Parkour e não tenho dúvidas de que algumas coisas são inexplicáveis.
Contrariando todas as expectativas, eu fui para o Nordestino/Retiro Espiritual.
Para quem lembra, desde que a data do encontro fora divulgada eu me manifestara contra publicamente, achando a data extremamente sectarista, por ser uma época em que as passagens de avião estão demasiadamente caras.
Enfim, não existia nada favorável para eu ir ao Encontro, mas eis que surgiu o nosso queridíssimo Ander com a ideia de sair de Juiz de Fora de carro, passar em Salvador e em Aracaju rumo a Maceió, e eu virei parte dessa maluquice tudo bem que ele queria na verdade testar o carro novo.
Na quinta-feira à noite Ander chegou a Salvador, com cara de criança cansada de brincar com brinquedo novo. Foi assim que eu entrei nessa história.
No dia seguinte entramos no carro, pegamos o resto da encomenda de Soterópolis (Fallux e Gustavo Tartaruga) e rumamos para pegar a nossa encomenda sergipana, nosso não tão querido Duddu.
Chegamos a Maceió na sexta à noite com muita fome e muita história pra contar (né Duddu?). Eis que estou eu no Encontro Nordestino, perplexa de como as coisas podem acontecer sem que planejemos.
O Encontro foi digno do nome, pois antes de qualquer coisa ele foi um grande ENCONTRO, entre pessoas, entre praticantes... Que serviu para quebrar preconceitos e paradigmas de muita gente. Sabe aquele ditado que diz que o ano só começa depois do carnaval? Pois é, não tenho dívidas, o meu só começa depois do Nordestino. Um encontro único com um calor humano ímpar (apesar do frio do ar-condicionado do alojamento), com pessoas dispostas a ajudar umas as outras, cada pequena dica, cada pequena atitude, antes de nos tornar tracers melhores nos torna pessoas melhores.
Apesar de não querer me ater às questões técnicas do Encontro, existem algumas coisas que não tem como passar em branco, a exemplo do esforço da Pri para fazer as coisas saírem o mais perfeito possível, a qualidade do que foi oferecido, desde os quartos limpos, com cama e ar-condicionado, até o entorno do Estádio Rei Pelé que por si só já é incrível, com seus picos secretos que fizeram a alegria do Encontro. Outro ponto singular do evento foi a sua estrutura livre. Não tínhamos treinos guiados, workshops nem um cronograma fechado. Cada praticante tinha autonomia para montar os seus treinos no horário e no local que queriam, e sou obrigada a confessar que esse ponto teve um efeito completamente contrário ao que eu imaginava, pois ao invés de gerar bandalheira e dispersão deixou todo mundo muito confortável para organizar os seus treinos. Excetuando os Ybiangas que ficaram no seu quarto superluxo com o seu Play 2, cafeteira, microondas e mais qualquer coisa que eu provavelmente já esqueci.
Outro ponto forte do evento foi o Duddu de chapinha, ou escova inteligente, como ele prefere se defender. Tudo bem que isso não muda muita coisa, mas é bem estranho...
O Encontro foi regado a coisas incríveis, treinos, arranhões, bolhas, queixos quebrados, contudo, teve uma coisa que até hoje eu não vi em nenhum evento: Uma vontade de estar junto, de ajudar o outro. Óbvio que existiam grupinhos, mas era algo natural, não eram pessoas competindo entre si por status ou qualquer coisa do tipo. Eram pessoas que se predispuseram a estar juntas pelo prazer que isso gera e o Parkour foi um meio. E mesmo assim ninguém treinou menos por isso, pelo contrário.
Desse encontro só levo o melhor, das pessoas, do lugar...
Levo saudades e espero sinceramente que o próximo encontro preserve o clima, o entendimento, a vontade do que é o Nordestino.
Meu sincero obrigada a todos que fizeram isso acontecer. Todas as pessoas incríveis que tornaram o Nordestino um ENCONTRO.
"Quando se pensa antecipadamente, isso te previne de estar nesse momento de agora. E quando você está nesse momento de agora, é quando você é... capaz de fazer coisas que as outras pessoas não conseguem entender ou apontam pra você, sabe?" (Vídeo Choose Not To Fall)
Já vi muitas Traceuses treinando duro, mostrando o que sabem. Executando saltos, movimentos, mortais incríveis, com perfeição mesmo. No entanto, quando sentam para abrir a boca não sabem explicar o porquê fazem o que fazem, e isso é triste. É triste você ver Traceuses com um leque de movimentos sem nenhuma essência. É como ver uma casa de dois andares sem uma base. Bonita de se ver mas fácil de desmoronar! Estar no Parkour é algo que só te requer um tênis, uma calça e uma dose de disposição, SER do Parkour é tudo isso aliado a tua força de vontade, todos os dias. Então me diz, como você vai levantar todos os dias e se sentir do Parkour se você não sabe porque faz isso? Como você vai reagir quando alguém te perguntar porque você pratica tal esporte? Vejo muita gente, não digo todos, mas vejo muita gente levar o Parkour na brincadeira e isso está errado. Claro que não dá pra ser 'brutalidade' o tempo todo, mas também não dá pra ser brincadeira o tempo todo, não é?! Mudar a visão do mundo sobre o Parkour, principalmente o Parkour Feminino, requer não apenas algo que se possa demonstrar, requer voz. Levar teu estilo de vida a sério, requer paciência para aguentar as opiniões que tentam te derrubar e voz para dizer que você vai levantar. Então construa sua base, firme! Se pra isso é preciso você parar o seu treino de hoje e se dedicar a pesquisar sobre a técnica, que seja não será em vão. Conhecer sobre o Parkour não me trouxe força física, não me trouxe músculos nem calos. Conhecer mais sobre o Parkour me trouxe técnica, e a técnica me fez discutir e mudar a opinião de muitas pessoas que me olharam e me perguntaram "por que perde tempo fazendo isso?", me fez acreditar nos meus treinos, me fez acreditar em mim e acreditar em mim me fez ser quem eu sou. E eu sou Traceuse!
"Não faço isso para me exibir, eu faço talvez para chamar a atenção de alguém. Para que perguntem, porque estou fazendo isso e daí isso me dá oportunidade de conversar com eles e falar sobre a razão pela qual faço isso." (Extraído do vídeo: Choose Not Fall)
Acho que o início do meu percurso (!) no Parkour foi o contrário do da maioria das pessoas: meus primeiros contatos e treinos foram em encontros (cearense e nordestino). Eu tinha visto alguma coisa sobre o Parkour na tv há uns anos atrás (inclusive um clipe da Madonna o.0), e há poucos meses, fui a um treino. Depois desse treino, já fui pra um encontro estadual! Fiquei perdida, tímida, etc e etc. Não fui mais a nenhum treino.
Então, chegou o encontro nordestino. Assumo que a razão principal de eu ir não foi o Parkour em si ;) , mas comprei um tênis na perspectiva de treinar. Então, comecei. E a cada treino têm sido tantas descobertas!
Os movimentos me encantaram de cara. Mas eu pude ver, desde o início, que tem muito mais coisa – e isso me impulsionou a praticar. Eu praticava Capoeira Angola. Percebi que como ela, o Parkour é – literalmente – um caminho. O espírito de solidariedade, os fundamentos, a filosofia, a reapropriação do espaço urbano, conhecer pessoas legais, me desafiar. Enxergar o mundo não com outros olhos, mas com os olhos mais abertos. Na verdade, com todo o corpo!
Já vou me enxerindo e recomendando a leitura do livro “A arte cavalheiresca do arqueiro zen" (http://www.filestube.com/0f9be90a6c8e018403e9/go.html). Alguns tracers que conheço leram e também acharam bem pertinente relacionar esse livro ao Parkour.
Nos treinos, principalmente depois que li esse livro, tem umas questões e umas constatações que sempre me cutucam:
- qual o limite do corpo?
- estou agindo por mero ego?
- limite ≠ limitação: limite eu respeito. Limitação eu supero! E com uma mãozinha dxs companheirxs! { http://bit.ly/r8yHU }
- respiração & explosão!
E venho me inspirando, a cada exemplo de traceuse e tracer, seja aqui no blog, seja nos treinos, pra continuar e evoluir!
Gratidão a todos que vivem e compartilham um caminho tão bonito!
Bem, lembro como se fosse ontem, eu conversando com a Carol pedindo para que a mesma me escrevesse sobre uma situação de treino que aconteceu (que foi publicado aqui e na Girl Parkour). Ao mostrar o site da Girl Parkour, ela me disse que queria fazer um blog sobre Parkour Feminino. Uma ou duas semanas depois Carol me passa o link do que ela estava começando. O formato do blog era lindo, e logo de cara dei meu apoio ao projeto.
Quando o projeto ganhou corpo resolvi ajudar na divulgação. E assim surgiu o Parkour Feminino Brasil. Depois de algumas semanas a Carol não estava mais sozinha bolando as coisas para o blog. Estávamos eu e a Ju Dantas ajudando na tarefa de procurar material e escrever na página. E a nossa última "chegada" Patricia Brisa. Talvez daqui mais para frente outras pessoas façam parte da equipe, escrevendo, conseguindo material com outras pessoas. Mas, vale dizer que as que aqui estão, estão de coração pela ideia do blog e amor ao parkour.
Vou te contar que uma das coisas que me dá mais orgulho e vontade de trabalhar no blog é saber e poder contar as histórias de várias mulheres e rapazes que ajudam na divulgação do parkour pelo Brasil. Conhecemos e criamos uma rede com pessoas que embora não estivessem nos vídeos populares do parkour, trabalhavam duro pelo parkour em suas regiões.
Saber que Veron e Rebeca trabalham pela divulgação do parkour em Pernambuco, que a galera do ParkourThe faz questão de informar sobre o blog às mulheres do Parkour no Piauí e no Maranhão, de ver rapazes como o SD ajudando a criar material que ajuda nos treinos físicos, conhecer os lugares de treino de diversos cantos do Brasil apresentados por aquelas que treinam, são coisas muito gratificantes.
O receio de ser um blog sexista passou. Percebi que o que fazemos no blog é dar voz aos que amam o parkour. Não há supervalorização de um sexo ou de outro. Somos todos iguais, mas cada um com o seu foco.
E, no final das contas, ou melhor, no início de tudo, a culpa é da Carol! =)
Bem, acho que a origem de muitos, principalmente os mais antigos, no parkour se deva aos vídeos na Internet (e viva o Youtube em grande parte por isso!). Vejo muitas mulheres que treinam sempre citarem alguns nomes gringos e quase ficarem eufóricas ao lançamento de qualquer vídeo de tais ícones.
Não critico quem assim faz. Porém, não sigo tais ícones. Já assisti a vários vídeos, mas talvez não seja tão impactada por eles pelo jeito que comecei a treinar. Foi por conta de um trabalho da faculdade que conheci a atividade e foi pela insistência de Toguro, Raxa e JJ que passei a treinar. Acho que não via tanta graça nos vídeos gringos porque estes nunca me passaram o que eu sentia a cada treino que frequentava.
Eu tive boas referências de treino. Por exemplo, sou fã incondicional da Angélica. Ela é gringa (chilena), mas às vezes parecia mais carioca que eu, tirando claro o meu lindo sotaque que é melhor que o dela (rs!!). Sabe os motivos de ser fanzoca da Angélica? Ela é uma mulher linda e o fato dela ter quase 50 (quando comecei a treinar com ela... hoje ela está com os seus 52 anos), era segurança que ela me passava em cada coisa que fazia. A atenção ao treino, a concentração ao pensar em fazer algo, e ao se jogar no que muitas vezes eu não tinha coragem de fazer nem se fosse pertinho... rs!! Sem contar que eu sabia que ela treinava sozinha quando podia, e treinar sozinha para mim, naquela época, era quase 'impensável'. Se você saber quem é a Angélica, há um único vídeo dela no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=dRZ4pmdF-Ro), olha lá.
Não sei... talvez as meninas com as quais eu comecei a treinar levavam o treino mais a sério. Todo domingo de manhã vencíamos a preguiça e treinávamos por algum canto do Rio. Me lembro da Crisna melhorando absurdos a cada treino e dizendo que todo mundo melhorava menos ela. Me bateu um pouco de saudades das referências que eu tive e ainda tenho o prazer de treinar. Espero que as mulheres que hoje treinam comigo tenham essa garra que via nos treinos com a Angélica e a Crisna, e que me façam sentir saudades disso daqui a algum tempo... =]
Gente, não é uma notícia que gostaria de dar, mas a nossa amiga do Paraná, Patrícia Pires, faleceu em um acidente ontem. Não sei o que dizer e tô com o peito sufocado. Não sei se vocês tiveram a oportunidade de conversar com ela, mas eu posso dizer que o que eu conhecia dela, gostava. Trocávamos ideias sobre música, sabia que ela estava feliz com planos de fazer pesquisas sobre parkour.
Espero que o ocorrido seja esclarecido e peço aos que conhecerem a família dela que possam confortar esta, pois não é nada fácil perder alguém querido.