Este texto é em homenagem ao Ricardo Farias. Obrigada pelos treinos e ensinamentos. =)
Fui responsável pelos primeiros treinos de muita gente no parkour. Não falo só no Rio, mas em viagens volta e meia recebo o desafio de ser o apoio aos primeiros passos de alguém na atividade. Me lembro do primeiro treino que ministrei. Sempre ajudei nos treinos, mas estar a frente, sem os amigos, dá um frio na barriga de estar passando o certo ou não.
Muitas vezes começo sozinha, às vezes perdida de por onde começar, depois outros se chegam para ajudar em algum ponto. E sempre é gratificante quando sinto o carinho de alguém por mim tanto tempo depois daquele primeiro treino.
Vendo a evolução de alguns que ajudei, me senti para trás e me questionei se não deveria ser um pouco egoísta para melhorar minha movimentação, já que tenho medos e barreiras que ainda não derrubei em mim. Mas, ao estar em um treino e ver alguém que quer se aproximar, entender como é o parkour e não dar a mão, é difícil... e injusto!
Nos treinos com o Ricardo, houve uma dinâmica de uma pessoa treinar com os olhos vendados enquanto o seu par teria de guiá-lo. É um x-tudo de emoções nessa atividade. Você não sente tanto medo de altura, mas fica com medo dos tropeços, dos cacos de vidro, das pedrinhas que teimam em marcar presença nos seus pés. Você percebe mais o chão, aguça mais o toque, percebe-se frágil, medroso, curioso, e, principalmente, dependente de outro.
No parkour, tantas vezes se grita que a liberdade vale, mas quanta falta faz alguém para dar uma dica, uma bronca.E, o outro? Ele também precisa de orientação! Ricardo compara o iniciante a uma xícara vazia. E esta xícara está disposta a receber tudo o que temos a oferecer. Nos primeiros treinos o iniciante se sente cego, curioso, com medo dos ralados, dos cacos e escorregões. E quem são os guias? Somos todos nós!
E, por que tanto medo e tanto abandono com os iniciantes em alguns treinos? Alguns assumem o medo de se sentir regredir ao passar o básico. Será que você se lembra como foi dar o seu primeiro pulo, ou fazer qualquer vault? Será que ainda consegue? Outros assumem que têm medo de terem trabalho e o mesmo indo para o lixo com o iniciante nunca mais aparecendo. Mas, como incentivar a prática se não tiver ninguém para orientar?
Como falar tanto em ser forte para ser útil, se não passamos adiante, se não somos exemplo? Como ser e durar, se não permitir o primeiro treino? Por que não se permitir ser iniciante de novo para que quem se chegar entender que independente do tamanho do pulo, cada um tem uma evolução, tem uma conquista que não é menor que a de outrem?
E a ilusão de que a gente só ensina... normalmente, aprendo muito mais com os iniciantes do que ensino. Porque tenho de voltar a ser uma iniciante para entender as dificuldades. Preciso fazer ao lado, e quantas vezes descubro que esqueci algo? Aprendo de novo e seguimos. E o sorriso depois por estar ao lado... não tem quem pague.
Ah! Para quem não sabe quem é o Ricardo, vai uma foto dele com a esposa Amanda. Guerreira que está na luta. =)
Uau, já se passaram 6 edições e vamo que vamo pra 7°!!!
As inscrições estão abertas para as cidades candidatas ao 7° Encontro Feminino De Parkour 2015. Para se candidatar é simples, escreva a proposta para levar o encontro para sua cidade e envie para o e-mail do blog parkourfem@gmail.com até o dia 17/08/2015.
Alguns pontos importantes para a candidatura:
Data do Evento: o mês deve ser Janeiro, e o evento ocorre em algum final de semana. Caso a sua cidade não possa sediar em janeiro de nenhum modo, envie a justificativa e a proposição da nova data. Mas por que janeiro? Muitas trabalham, estudam, e este mês é o mais fácil para a locomoção da maioria até a cidade do encontro.
Alojamento: pense nas alternativas de alojamento para as meninas, casa das praticantes locais, escolas públicas, hostels, hotéis, enfim um pequeno plano para abrigar as moças.
Picos e treinos: enviar possíveis picos e ideias de treino, apenas para avaliação. As meninas de Minas após serem escolhidas fizeram uma votação para que as próprias participantes do evento escolhessem os locais, essa é uma alternativa a se pensar.
Logística do transporte: como poderá ser feita a locomoção da rodoviária, aeroporto, para os locais que as praticantes estarão alojadas e também para os picos. Temos visto que este é um ponto importante pois muitas provavelmente nunca foram para a cidade do encontro e precisam de ajuda e orientação para não ficarem perdidas.
Equipe: não é por ser tratar de um encontro feminino que apenas meninas precisam organizar, mas a base da equipe na maioria será de mulheres, os rapazes são bem-vindos com apoio, dicas, conhecimento prévio de outros encontros, tudo o que puderem fazer para ajudar as meninas será de grande valia.
Meninos no encontro: não é um encontro que segregue, cada ano mais e mais rapazes tem viajado para prestigiar o evento, com isso é preciso pensar na organização do espaço para que todos tirem proveito, as oficinas, treinos, e todo o apoio é principalmente focado nas traceuses, na troca, na possibilidade de nos encontrarmos para treinarmos juntas, falar dos acertos e erros, na melhoria e evolução dos nossos treinos. Os meninos todos os anos participaram e se posicionaram muito bem, não há por que proibir a participação deles.
Alimentação: não é obrigatório que haja alimentação gratuita para as praticantes, mas caso o pico seja longe ou ofereça poucas opções de comida nas proximidades durante o encontro, é interessante se organizar sobre a necessidade de levar algo, onde podem comer, etc.
Água: de suma importância, algumas cidades possuem bebedouros nas praças, outras fontes naturais, não é obrigatório, mas queremos saber como será a hidratação nos dois dias do evento.
Autorizações: verificar se os locais de treino precisam de alguma autorização extra para realizarem o encontro, se alguém quiser filmar lembrar do termo de direito de imagem, qualquer foto ou vídeo que não seja da responsabilidade da organização do evento deve ser comunicado às praticantes e questionado se as mesmas desejam participar.
Camisa: pensem em uma logo e no orçamento para fazer as camisas, esta lembrança do evento pode ocorrer ou não de acordo com a organização, mas todos amam as mesmas :)
Demais considerações podem ocorrer antes da finalização do prazo de envio da candidatura e será informado por e-mail diretamente a equipe que inscreveu a sua cidade.
Prazo para envio da proposta até dia 17/08, pelo e-mail parkourfem@gmail.com.
Abertura da votação por facebook no dia 19/08, serão apenas computados votos válidos para traceuses.
Resultado dia 31/08.
Na votação da cidade vamos disponibilizar a proposta enviada para que as meninas possam entender e votar conscientemente pela cidade, sendo assim nos enviem fotos e toda a informação que acharem necessária. Qualquer dúvida por favor enviem e-mail para: parkourfem@gmail.com, carolinnegoes@hotmail.com ou tatimabersi@gmail.com
Estou escrevendo mas não estou sóbria! Não que tenha ingerido álcool ou me entorpecido com alguma coisa, porque não tenho mais idade pra isso... Idade... É sobre isso que queria falar: Estou escrevendo mas não tenho idade, não porque seja velha, ou caquética, muito pelo contrário, talvez alguns digam que falo do que nem sei. ('Pois vou falar, os incomodados que apertem ctrl+w')
PS.: De tão velha, tem uma vozinha fazendo comentários infames enquanto escrevo, parece uma versão minha mais nova ou mais velha, sei la, ela se acha super engraçada, se quiser ignorem, é o melhor jeito de seguir...
Esse tal de parkour parece coisa de jovem sem noção, por jovem não me refiro a faixa etária com mais de 20 e menos de 30, falo da mentalidade mesmo: aqueles que não medem conseguencias, não pensam no amanhã... 'Parece que não tem mãe!' gritou alguém aqui na minha consciência, algum desconhecido de alguma lembrança de um treino qualquer na rua...
Ta bom, você pode discordar, você q já passou da idade e ta ai pulando muro até hoje, mas você já passou da idade mesmo, ah, isso tu não pode discordar! Suas articulações aprenderam a falar, fazem 'crec' pra todo lugar, sua respiração a ofegar e seu tempo a esvair: 'treinar? Não da tempo, vá dormir!'
Já percebeu que a maioria das desistências do parkour tem a ver com as responsabilidades que vem com a idade? 'To estudando, to trabalhando, to namorando'. Tudo coisa de gente velha! (Não que gente nova não namore, mas quando gente velha namora é um tal de ficar junto o tempo todo, novinha a mãe nem deixa ver todo dia). A gente sabia que a responsabilidade ia chegar, quer dizer, alguém com certeza avisou, e se não avisou dava pra perceber olhando os outros; mas mesmo assim fizemos juras de amor, 'parkour pra sempre', 'nunca vou parar', 'vou ensinar meus netos'... Que coisa feia é a promessa quebrada! Se vai terminar, termina direito, não vai se afastando e inventando desculpas pra não ver mais! #soacho
Desculpa também é coisa de gente velha. Gente nova exala disposição!
E não to falando com você que só é velho de idade, to falando com você que é velho de treino! Que é a historia ambulante do parkour na sua cidade.
Lembra quando você listava seus amigos que desistiram do parkour? 'Tem o João q torceu o tornozelo, a Ana que a mãe proibiu de treinar e o Pedro que ta um pouco desanimado, mas logo ele volta', run, quero ver listar agora, te desafio! kkk
Mas relaxa que isso é normal, eu também nem consigo mais, é tanta gente entrando e saindo, tanta gente desde o começo ne?! Dá até uma nostalgia...
Lembra quando tu saia a noite e chapava todas? E não interessa se tinha que trabalhar, estudar ou treinar no outro dia, tu ia, virava a noite e no outro dia tava firme e forte rendendo. Agora só quer cama e Netflix! Mas se tu não lembra, nem eu, não fazia essas coisas; mas se fizesse, te garanto que seria isso mesmo que descrevi, hoje da preguiça só de pensar...
Lembra quando a gente saia comemorando em quase todo treino? Puts, bom demais! Era a precisão nova cravadinha, o cat leap do amiguinho, ou o novato que eu levei pro treino ('to demais, já to até fazendo discípulos'). 'Agora eu só treino pra evoluir mesmo'. Altos conhecimentos aprofundados de treino, sei até uns nomes técnicos, ergonomia, hegemonia, essas coisas, não preciso mais de euforia: 'run adolescentes ridículos'.
'Kkkkk, tu treina só pra evoluir? Essa é boa, tu treina só pra se manter que eu sei' gritou alguém aqui na minha consciência, alguém que deveria ficar CALADA porque eu to ocupada filosofando...
Falando nisso, há quanto tempo não escrevo aqui, as vezes to tão ocupada, cansada... Antes queria relatar todas as minhas conquistas, qualquer besteira como uma precisão de 6 pés, uma trilha, só queria compartilhar e incentivar mais gente a evoluir e compartilhar também, num ciclo vicioso delicioso. Arrumava tempo pra escrever e tempo pra encher o saco das meninas pra escreverem também, agora não sei se as meninas ficaram velhas e desistiram de treinar ou só velhas e cansadas mesmo... Ta tudo bem, não te julgo, também to cansada...
Tava pensando sobre a minha idade, com toda a minha sobriedade e nem um pouco de novidade, pensei nos novatos de hoje em dia cada vez mais insanos. 'Mano, olha aquele novato, demorei 6 meses pra conseguir esse movimento que ele ta fazendo no primeiro treino? Argh! Na minha época tinha que se esforçar de verdade'. E quando raramente sou invadida por inveja (ou só ódio mesmo), lembro da Camila dizendo 'e se o outro tivesse passado por tudo que passei, será que ele aguentaria o tranco que nem eu? Ou ele diria 'to estudando; to trabalhando; ou só chega ne?! Já passei dessa idade', porque no final a minha evolução não se mede pelo outro, mas se baseia em mim mesma...
Uma pausa pra suspirar e deixar você pensar naquele medo de altura filha da mãe que tu tinha no começo e naquela precisão do alto que você fez no último treino... Pausa pra pensar em todos os seus músculos doloridos por falta de alongamento e você desafiando o amiguinho no espacate recentemente... Pausa profunda pra pensar no monte de obstáculos que tu teve que ultrapassar, metendo o cotovelo, a coxa, a bunda pra climbar, e continuar treinando até hoje...
Poque se você ta lendo isso aqui, acho que você não desistiu ne?! Quer dizer, mil caíram ao seu lado, dez mil a sua direita e você continuou saltitando, pois é...
Tu só ta naquela fase de treino super bem elaborado e nada espontâneo, de 'não fiz mais que minha obrigação', e 'merda de precisão de 11 pés que não cravo'. Aquela fase de ler textos longos e usar palavras bonitas nos debates (lembra quando você nem entendia os debates? kkk). Mas no final esse texto não é uma crítica, é uma reflexão de uma velha e os parabéns de uma parte nova que não sai de mim: 'você conseguiu, você prometeu um pra sempre e não me traiu'!
E já vou finalizar porque preciso dormir cedo, 'Durmo cedo porque sim!', e digo parabéns pra você também, que já pensou em desistir, que se transformou em alguém responsável, e que quando disse "caralho, quero fazer isso a vida toda" não disse só porque tava cheio de adrenalina na cabeça, disse porque QUER fazer isso a vida toda... Nos vemos aos 50!
Confesso que não me lembro se foi em um texto ou em uma conversa com a Ana Antar (há alguns anos atrás) que levantamos a discussão sobre a participação da mulher no parkour. O discurso comum é que mulheres não treinam, Abandonam com facilidade a atividade. E antes que alguém levante a bandeira dizendo que é isso mesmo, ou que é um discurso comum só no Brasil, já informo que não é.
O que vejo no Rio e vi em outros lugares é que o número de homens treinando parkour sempre é muito maior do que o de mulheres. Quantos começaram a treinar e depois pararam? Muitos! Você chegou a guardar o nome de algum? Quase nenhum! A quantidade de mulheres treinando sempre foi menor, quando uma deixa de treinar fatalmente você sabe o nome dela.
Somos poucas em cada cidade. Temos corpos diferentes de um homem. Temos um desenvolvimento diferente. Temos histórias diferentes. Muitas garotas que conheci não praticavam absolutamente NADA antes do parkour. Logo, a evolução dos movimentos não será igual ao de alguém que sempre praticou esportes, e muito menos haverá conforto nos treinos. Percebo isso quando vejo as estatística do blog quando vejo a quantidade de interessados em uma postagem que escrevi há mais de 4 anos, além de todas as mensagens que recebo pedindo ajuda para conseguir fazer a primeira flexão sem o joelho no chão. Conseguir a primeira flexão é muito mais difícil do que aprender as variações quando flexão de punho cerrado é mole. Levei mais de 5 anos para conseguir a minha primeira precisão em barra. Cada um tem seu tempo e sua maneira de passar pelos seus medos e vergonha. E toda vez que vem com o discurso de que mulher não treina, ou de que precisa treinar que nem homem, você pode espantar mais do incentivar a pessoa a treinar que nem o cão (acho que gato faria mais sentido... ahahahaha...).
O que acho graça é que ninguém fala mal do amiguinho que não treina todo final de semana, ou que trocou por um tempo o parkour por alguma outra atividade. Mas, as meninas frenquentemente escutam: Mulher não treina aqui na cidade (no estado, no país, no planeta, no universo...). Isso sem falar nos apelidos: maria mureta, cilada, moda, etc. E do discurso tão dito por outros, acabamos por assumir como verdade e repetimos umas às outras.
E, por que não dizemos o oposto, se em cada lugar que passei, diferentes pessoas que conheci, vi tentando criar espaços para incentivar a prática? Por que raramente divulgamos que a frente é nossa para fazer qualquer coisa com o nome parkour? Por que somos tão envergonhadas de mostrar as nossas ideias, de marcar treinos, de passar treinos, de opinar contra algo que falaram por medo de ser chamada de moda?
E daí que o seu interesse pelo parkour veio por causa de um carinha que você saiu ou namorou? E daí que você leva o parkour como hobby de final de semana ou que você pratica só para emagrecer? Nem todo mundo tem de ter o mesmo pensamento. Imagina que saco seria o mundo se todo mundo pensasse igual. E daí que a fulana(o) e beltrana(o) fazem o climb up digno de aplausos ou pena, se a graça toda dos treinos é aprender a controlar os próprios medos, a se concentrar, fazer seu corpo descobrir movimentos e a sua mente a acreditar que pode? A graça não é entender que todo mundo é aluno e professor? E daí que ela fica feliz em mostrar os calos das mãos, ou usa luva para não ter os calos? E daí que a sua precisão não é 9 pés? E daí que os seus braços vivem ralados de tanto tentar subir o muro, e que você não sabe usar a joelhada para fazer o climb up?
Independente do lugar em que você está e treina (pelas visitas do blog, sei que há uma galera de outros países que lê os nossos textos), queria só que você pensasse se realmente o discurso, que escuto desde que comecei a treinar, é verdade. Queria só que você pense por quê, afinal, você propaga isso. Queria que no próximo treino que você fosse, você olhasse a outra envergonhada e oferecesse ajuda e não julgamento. Queria na próxima discussão sobre qualquer tema, você levantasse sua voz, porque a sua opinião importa sim! Queria, mas falta saber se você também quer! Porque, para mim, independente da sua razão, do estágio que você está, se você tem interesse em parkour, você é mulher que treina! E, de verdade, quero muito que você também se veja assim.
Eu treinei com o Chau Belle! Eu treinei com o Chau Belle! Ainda repito isso algumas vezes para mim mesma para acreditar que realmente eu treinei. Quando a Kath me disse: "Chau disse ok para você treinar amanhã com o pessoal da ADD!", pensei: "Não entre em pânico! Será que é o Chau mesmo?!".
E o dia seguinte chegou e a Claudia me levou ao treino, e eu conheci o Chau. Era de verdade! A vontade era pular, abraçar, falar pelos cotovelos. Mas, quando o vi, não me senti no direito de perturbá-lo, nem ao menos de pedir para tirar uma foto junto. Sabe quando você sente que pedir isso não tinha o menor sentido? Respirei não dei ataque de tiete. Fui tomada de uma timidez que me dizia para continuar assim e aproveitar tudo que aquele treino poderia me oferecer.
Naquele momento de exaustão em que minha tietagem apareceu
Ele daquele tipo que fala baixo e treina descalço. Quando eu o vi tirando o tênis, lembrei que havia 2 meses que eu não sabia o que era treinar descalça, porque tinha matado a ideia desse tipo de treino assim que encontrei uma Kiev fria de doer. Mas, cadê a coragem de tirar o tênis? Não, ela não foi treinar comigo! Ahahahaha...
Chau corrige quando vê a pessoa errar. Chega com cuidado, explica onde a pessoa pode se machucar, e o porquê de fazer certo. Com ele eu entendi que não adianta fazer rápido se não conseguir manter o ritmo. A cabeça precisa entender que o corpo precisa se recuperar durante o treino, que precisa respirar. Não adianta correr, se o fôlego morre em 1 minuto, e assim você não consegue ir muito longe. Chau me lembrou muito o Kuruoglu falando da importância da respiração na dança.
O treino com o Chau poderia ser comparado ao Caba Macho. E como a Claudia é forte! Posso ser forte assim? Kath chegou mais para o final do treino, porque trabalha o dia inteiro e só conseguia tirar parte do horário do almoço para treinar. É outra bruta treinando. Magra só para enganar aos desavisados.
Terminado o treino, me lembro da Claudia perguntando se eu sabia quem era o Chau. Claro que eu sei! Se ela olhasse meu celular encontraria uma conversa assim: - Eu treinei com o Chau! - Quê? Você tá na França? - Tô! Eu treinei com o Chau! Eu ainda não tô acreditando nisso!
Alongamento pós treino
O treino-aula com o ADD team
No final da tarde daquele mesmo dia, a Claudia me levou a um treino-aula da ADD team nas margens do Rio Sena. As aulas são pagas e eu resolvi participar do treino feminino (são dois grupos: misto e feminino). É sempre bom ver como as pessoas passam os treinos, aprendo coisas diferentes que levo comigo quando ajudo um iniciante. O primeiro ponto é que o treino feminino é ministrado por mulheres. E não significa treino fraco! Pelo contrário, trabalha a cabeça e o corpo de diversas maneiras. Kath e a BlondyGirl (eu não consigo lembrar o nome dela de jeito nenhum! É a idade chegando... Ahahahaha...).
O Chau não passou treino, ficou observando como cada um da ADD orientava. Segundo a Kath, ele conversa depois com cada um sobre o que achou bom, o que achou que pode ser melhorado, ajudando assim no desenvolvimento dos instrutores (não preciso falar que achei uma postura excelente dele, me fazendo admirar mais ainda o cara). Escalada, corte no dedo, agachamentos, apoia a próxima, carrega a próxima, aquele monkey que eu só acertei por causa da presença do Chau (certeza!), e o tiquinho que faltou para subir aquele muro lindo.
Após o treino, cada um fez o seu alongamento e parte dos alunos e instrutores fizeram um picnic. E nem a chuva estragou essa diversão (Mas, não chove em Paris! Lembre-se de que não nevava em março e abril na Ucrânia...). E a volta foi divertida. Claudia é do tipo que treino gera mais energia para treinar depois do treino.
E aqui merece um agradecimento muito especial à Kath por ter me recebido em sua casa, e ter me proporcionado uma quarta-feira especia, conhecendo a ADD team. Você é um amor de pessoa, desculpa a bagunça. Agora entendo que é de família tanta fofura! Não poderia deixar de agradecer também à Antty por ter nos colocado em contato.
Com a Kath
Só lembrando que eu fui apresentada a todos da ADD, só que como sou uma idosa num corpo de uma pessoa de 30 anos, não lembro os nomes. Desculpa, rapazes! Queria agradecer muito a vocês pela atenção e pelo carinho. Ainda vou me acostumar com o cumprimento de vocês.
Bem, levei quase dois dias para escrever esse texto e sinto que ele não conta nem 1/3 do que vivenciei. Mas, é só um pedacinho das lembranças de viagem, as outras estão no coração! :*
Para entrar na Polônia, levei exatamente 3 horas. 1 esperando o carimbo da guarda da Ucrânia e mais 2 na Polônia. Mas, pelo menos não fui questionada sobre o meu nome. Ahahahaha...
A ideia inicial (quando estava preparando o roteiro da viagem) era passar por Lodz para visitar minha amiga Nika e ficaria os outros dias em Varsóvia. Só que a falta de resposta do hostel de Varsóvia e depois descobrir que a Neta morava em Lodz, me fez perguntar por que iria à Varsóvia, se tinha ótimas razões para conhecer Lodz? Então, enquanto estava em Kiev, desisti de ir à Varsóvia. Meu destino na Polônia seria outro.
Quem me recebeu em Lodz foi a Nika. Sim! A Nika que eu conheci no ano anterior em Kiev. Ela faz faculdade de Dança em Lodz. E enquanto estive lá pude conhecer a estrutura da faculdade. Confesso que fiquei encantada com a aula de ballet. Sempre vi o ballet como algo muito rígido, nunca tinha imaginado tanta beleza por trás de toda aquela disciplina. Fiquei animada, e a Nika me tentando a fazer faculdade lá. Ai ai... preciso ganhar na loteria... rs!!
A turma da Nika tem uma mistura que é boa de ver. Você percebe quem se sente mais à vontade em cada aula. Por exemplo, percebi a Nika em uma total entrega ao ballet, e pelo que vi do que o Mateus criou, acredito que se tornará um ótimo coreógrafo. E a menina das meias coloridas me lembrava muito uma das bailarinas em Cruel (da Deborah Colker).
Lodz é incrível! Imagina uma mistura de Rua do Lavradio e Lviv. E nisso você tem direito a encontrar pinturas incríveis nos prédios. Nika me contou que as pinturas nos prédios acontecem durante um festival anual. Claro que pedi para que me deixasse a par de quando rola esse festival, pois quero visitar Lodz quando a arte estiver acontecendo. Embora não tenha escutado, eu diria que a trilha sonora que mais combina com a arquitetura da cidade é o Jazz. Andando pelas ruas, eu imaginava alguém com um saxofone ninando a cidade.
Das coisas que mais me impressionaram em Lodz foi ver a adaptação calçadas aos cadeirantes. Algo que não vi em nenhuma das outras cidades que visitei, e olha que não vi nenhum cadeirante nas ruas. E o que falar dos vários pontos para estacionar as bikes, os prédios com artes, das estátuas que não fiz caretas. Resumindo: preciso voltar.
Parkour em Lodz
Vocês se lembram da Neta? Era a mentora do projeto Polish Traceuses em 2010. Então, eu a conheci!!!! :D
Alias, a primeira pergunta foi por que o projeto não continuou, e é uma pena que foi justamente por falta de material das próprias meninas. O que fica de lição? Como podemos incentivar a prática por mulheres se não temos pequenos atos para que saibam que é possível e que há praticantes. Por mais que eu odeie filmar, que eu me sinta uma pata, é necessário marcarmos presença para que seja possível mais mulheres no parkour.
Vamos voltar a como foi o dia com a Neta? Primeiro, a Neta me levou a um parque onde um dos traceurs de Lodz estava orientando o primeiro para iniciantes (tapa na minha cara porque esqueci o nome dele). Acho muito importante e fico feliz quanto encontro gente que ajuda aos interessados pelo parkour. Afinal, a galera precisa de um ponto A para começar, e que seja por boas mãos.
No meio da iniciação, a Anna chegou. Ela e a Neta formam a dupla dos cabelos roxos. Nem preciso dizer que adorei, né?! Nos divertimos com o corrimão, a barra torta e o bêbado. Mas, acho que nada nada nada nada é mais divertido que a criatividade da Neta em tentar arrumar um ângulo ou um apoio para filmar um flow. E oremos para que ninguém veja a filmagem da dança com os pássaros. Ahahahahahahahahahahahahahahahhaa... Gostaria de declarar que eu e a Neta estamos juntas no talento para os giros... e assumimos! Ahahahahaha...
Treinar com Neta e Anna me deu uma vontade de montar uma viagem para conhecer os traceurs e traceuses pelo mundo. Eu quero ter um milhão de amigos e em cada canto do mundo poder treinaaaar (Roberto Carlos me processando em 3...). Vamos ver se conseguirei isso. =)
Eu cozinho!
Preciso dizer qual foi uma das primeiras coisas que a Veronika me perguntou quando cheguei à Lodz? Imagina que estava há tempos sem cozinhar da maneira tradicional (com um fogão a gás), foi um prazer cozinhar para alguém que queria saber como eu fazia e queria experimentar o que eu cozinhava. Em Kiev foi complicado neste ano porque eu cozinhava e a maioria da galera do hostel não aceitava. Entendo cozinhar como entregar algo que é bom em você para alguém. Imagina quando a galera não aceitava... sentia como se não gostassem de mim. Mas, com a Nika foi o oposto. Nem preciso falar do sucesso até do biscoito queimado. xD
Hora da próxima parada
Uma hora é o momento de partir e eu precisava ir para Praga. E foi antes de partir que conheci o namorado da Nika, depois de séculos vendo as fotos dos dois juntos. Que casal fofo!
Escrever as memórias da viagem só tem me deixado com saudades. Assim não dá! Posso voltar?
Começo com uma nota sobre a pronúncia do nome da cidade. Em português, a cidade se chama Carcóvia. Fácil fácil de confundir com a cidade polonesa Cracóvia. Quando alguém me perguntava qual cidades visitei, preferia falar o nome da cidade em russo para não ter confusão com a outra cidade, já que passei pela Polônia. Acredito que para o Português ficaria melhor Rarcóvia, com o primeiro R sendo pronunciado como o carioca pronuncia Rio. De onde tiraram o para chamar a cidade desse jeito em português? Juro que não entendo.
Antes de chegar à Ucrânia, já tinha conversado com a Valéria que a visitaria no final de semana da Páscoa. Desisti de ir na Páscoa, e preferi o final de semana seguinte. Só tinha esquecido um detalhe: a diferença entre os calendários católico e ortodoxo. Acabei fazendo a viagem na Páscoa ortodoxa. Imagina a dificuldade de conseguir passagens. Assim como no Brasil, as pessoas viajam neste período para visitar suas famílias. Ok! Isso não me faria desistir de cumprir a visita prometida à Valéria.
Como a Valéria tinha dito que estava trabalhando e só poderíamos nos ver no domingo, durante a semana pensei que seria uma viagem só para fotografar a cidade e depois dar um abraço na amiga que antes falava apenas nas redes sociais. Até que avisei a Sandra que não compareceria ao treino no final de semana por causa da viagem. Pronto! Deixei a mesma preocupada. Mesmo lembrando que eu sou do Rio, e que eu sobrevivo, ela me colocou em contato com diversas pessoas. Imagina chegar à estação de trem em Kharkiv e ser recebida pelo Oleg com cartaz ainda escrito em português, e mais o Ivan (a graça era que os dois não se conheciam até então, culpa da Sandra). Quando eu falo que a galera do parkour é muito amor... <3>
Achamos o hostel que eu tinha feito reserva (sim, me levaram até lá). Quando viu que eu estava em segurança, que tinha uma cama para dormir, e combinado que colocaria outras pessoas em contato comigo para treinar no dia seguinte, Oleg deixou Ivan a cargo de me apresentar parte da cidade. Começamos comendo (porque eu sou fome). Percebi a leve cara de espanto do Ivan com a quantidade de comida que coloco no prato. Eu como mesmo! Não me venha com prato com pouca comida, ok?! Ahahahahahaha...
E fomos conhecer a cidade. Kharkiv é uma cidade com prédios que lembram mais o período da URSS. Para quem não sabe era a antiga capital da Ucrânia. Peço desculpas ao Ivan, porque parecia uma maritaca perguntando sobre tudo e parava toda hora para fotografar. Esses meus olhos de criança...
E Taras Shevchenko tem seu espaço também em Kharkiv. Das esculturas que vi sobre ele, essa foi a que mais gostei. Se não me engano, seria a representação dos personagens por ele contados.
Manhã seguinte, hora de acordar e comer, e lá fui eu tentar achar algum mercado aberto. A parte que eu estava na cidade era meio Juiz de Fora, as lojas fechadas no domingo. Na saga de achar qualquer padaria aberta, acabei visitando a igreja da primeira foto! Gente, que coisa linda! Aliás,Kharkiv é uma daquelas cidades que eu quero voltar para passar talvez uma semana. Me deu a sensação de que eu deveria ficar um pouco mais para entender e viver um pouco mais a cidade. Do que eu percebi, é que é uma cidade em que a população é mais diversa. Zhenya me falou que deveria ser porque as universidades lá eram mais em conta do que em Kiev.
Depois disso, eu e o Ivan saímos do hostel para esperar um dos traceurs, e quem nos esperava era o Kostya. A voz dele me lembrava os áudios de russo que eu ouvia durante os estudos, Logo, gostei dele mesmo não entendendo metade das coisas que ele falava. Mas, já rolou promessa de melhorar no russo para termos uma conversa normal. Chegamos ao pico ao lado do museu de história da cidade, ao lado de tanques (calma que eram de enfeites) e muretas. Esqueci de contar que era um dos primeiros treinos do Ivan. Então, esse foi um ótimo lugar para começarmos. Foi nesse pico que conheci pessoalmente o Zhenya.
Daí partimos para o OMG pico dos primeiros vídeos que eu assisti na vida. Estava em melhor estado do que tinha visto nas fotos. E ele é muito maior do que eu imaginei, e muito mais bonito. E eu fiquei encantada olhando para o teto. E lugar bom de explorar. Preciso voltar para passar uma manhã naquele lugar. Preciso! Oleg apareceu lá também mesmo com Krepatura (DOMS)! E ainda me deu um doce produzido na cidade. \o/
Sim! Tinha visto o pico no dia anterior. Mas, infelizmente estava de calça jeans,
Dali partimos para um pico perto de uma estação de Tv. Cidade cheia dos flows. Ahahahaha... E com a sua temperatura de inverno carioca, ouvi a reclamação: Está quente que nem um inferno! Ahahahahahahahahha... NUNCA! Ainda tremo de frio de pensar nas temperaturas de 20°C para menos. Fica o convite para virem desidratar no verão carioca, ou melhor, de me visitarem no verão. Depois de sofrer no sol.... ahahahahahahahhahaha (eu não consigo parar de achar graça de imaginar 20°C como quente), fomos à Prokach. Vou deixar que as fotos falem por mim.
Finalmente a Valéria chegou e eu pude dar o abraço devido, prometido e querido desde que tinha avisado que iria à Ucrânia. E, gente, ela é a cara da Raíssa só de cabelo vermelho. Até a voz é parecida. Da Prokach fomos comer, andar no parque, comer de novo (dessa vez congelando no frio... carioca sofre). Parecia que conhecia Valéria e Ivan há anos. Obrigada pela paciência, até na minha tentativa de pronunciar qualquer coisa em russo. xD
A pizza não tinha orégano. Como assim?
E a conversa era: nem se me pagassem subiria nesse brinquedo.
Gostaria de agradecer a algumas pessoas que fizeram parte dessa viagem. Sandra que me colocou em contato com algumas pessoas, e por toda preocupação dela comigo. Ao Sergey pela ajuda a descobrir os hosteis da cidade e pela melhor foto de toda viagem, com a cara de "Alguém me salva dela, por favor!".
Ivan e Valéria por me apresentarem uma Kharkiv cheia de encantos e muitas fotos. Oleg, obrigada por toda preocupação. Me senti muito querida. E eu voltarei para te perturbar. Quando ainda não sei.
Não poderia faltar o meu agradecimento aos fofos do Kostya e do Zhenya. Rapazes muito obrigada pelo treino, e espero vê-los em breve, E refaço o convite de me visitar no Rio, hein!
Já ia esquecendo uma pessoa que não conheci pessoalmente, mas que eu preciso agradecer : Dima! Muito obrigada! Devo brigadeiro a você. Quando eu voltar à Ucrânia, pode me cobrar!
Provavelmente esqueci um monte de coisas e fotos. Mas, o texto é mais para matar um pouco das saudades desse povo. Beijos e abraços da carioca!