quarta-feira, 5 de outubro de 2011

“Firme como o aço e suave como o algodão” - Postura corporal durante os exercícios

Por Julio César, Rio de Janeiro.

Olá meninas e demais leitores deste blog. Não tenho a intenção de escrever um manual de como melhorar sua postura corporal durante a realização dos seus exercícios, apenas trago uma reflexão em cima do assunto. Gostaria de compartilhar com vocês a forma com que encaro o assunto: é preciso criar uma atitude contínua em relação à sua postura corporal.
Pois bem, quando falamos em “postura corporal” falamos em consciência corporal, um aspecto está ligado ao outro e não tem como ser diferente disso. Quando falamos exclusivamente de “consciência corporal” aí a história é outra... A consciência corporal depende da maturidade mental, a maturidade em saber “como” e “porque” o seu corpo está a se exercitar. Só que este “como” e “porque”, nada tem a ver com estímulos externos e sim internos, isto é, são sensações percebidas, principalmente, no âmbito do sistema nervoso central, sistema nervoso periférico e osteo-mio-articular (ossos, músculos e articulações) durante a execução de um dado exercício (basicamente acontece essa triagem, porém o processo é um pouco mais complexo). Para melhor compreensão exemplifiquemos assim:
*O cérebro assimila o problema (sistema nervoso central)
*Usa determinadas pontes para chegar às ferramentas que resolverão o problema (nervos e gânglios nervosos)
*Aciona os mecanismos específicos que resolvem o problema (ossos, músculos e articulações).
OBS: cabe ressaltar, que podemos ter plena consciência apenas do 1º e 3º processos, visto que o 2º acontece independente da vontade da pessoa.
Mas é preciso que o indivíduo esteja consciente em cada aspecto do processo. É possível estar consciente em cada aspecto? Sim (repetindo, apenas na 1º e 3º etapas). Como? Quem de vocês já ouviu falar em “treino psicológico”? Esse tipo de treino vai além de se colocar mentalmente na situação para a qual se treina, ou seja, “fingir que estou pulando um prédio de 50 andares”, mais do que isso é capacitar o cérebro para torná-lo obediente à sua vontade de realizar determinado gesto motor: fazer com que a mente siga os impulsos da sua vontade e não da vontade da mente. Mas como fazer isso? Um exemplo clássico é o espacate (http://pt.wikipedia.org/wiki/Espacate), componente fundamental para adquirir amplitude articular elevada de membros inferiores. Quem de vocês já treinou este exercício sabe ao que me refiro: dor! Dor! Dor! Ora, se você não condicionar o seu cérebro (se não treinar psicologicamente) para que ele entenda que deve suportar aquilo “em prol do bem maior” você irá desistir no primeiro momento que começar. E isto é adquirir maturidade mental e consequentemente condicionamento físico, que por sua vez leva à consciência corporal.
Visto como, brevemente, trabalhar a parte mental, cabe agora tratar do aspecto físico do processo acima citado. Isto não é novidade para ninguém, todo mundo já ouviu e viu inúmeros e incansáveis vídeos de tutoriais disso e daquilo, guias, artigos sobre métodos de treinamento daquilo outro e enfim... Mas o princípio que move o aspecto físico e técnico de um determinado esporte/atividade é o da repetição. Apenas a repetição possibilita com que o cérebro entenda e aprenda o que precisa ser feito. Mas cuidado! Apenas a repetição automática de algo, ou seja, fazer por fazer, não leva a lugar nenhum. É preciso saber “como” e “porque” fazer: “Fazer algo, qualquer um faz. Mas saber fazer, qualquer um não faz”.
Este é o caminho que leva a uma plena maturidade mental, o que por sua vez amplia o grau de consciência corporal e acaba infalivelmente atingindo o seu posicionamento corporal perante as situações que se apresentam a nós. Percebem? Tudo acaba ficando ligado, uma coisa depende da outra. Não tem como uma pessoa querer melhorar a postura de sua coluna vertebral se por sua vez pensa em, assim que acabar de treinar, ir deitar de qualquer forma; ver televisão comendo numa cadeira sem espaldar e entregue à “tortidão” (se é que esse termo existe); fazer um catleap com o máximo de atenção possível e depois de ter feito sentar para descansar como se fosse um saco de mercado vazio. Mais do que se preocupar NESSE INSTANTE com a melhor maneira de dispor seu corpo para andar, correr, fazer este e aquele exercício, é preciso se preocupar A TODO INSTANTE em como seu corpo reage aos diversos estímulos diários.
Você precisa estar de plantão 24h por dia em relação ao seu corpo e principalmente em relação à sua coluna vertebral, pois ela é quem liga todas as partes de seu “corpichu”. Já dizia um ancião: “saco vazio não pára em pé” e eu acrescento: uma coluna forte é sinônimo de braços e pernas fortes!Sendo assim, tenham em mente que é muito bom treinar, mas também é preciso saber treinar, como treinar e o mais importante: por que treinar?
Mantenha flow e seja o percurso que você quer ver!

0 comentários:

Postar um comentário